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 Encontrando a Escuridão

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Lennart Eurus
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Qua Maio 16, 2018 2:37 pm

Aquilo... doía. O que era dor? Havia uma escala para poder definir quanta dor uma pessoa sentia? Talvez isso tivesse sido inventado, provavelmente por médicos. Em uma escala de um a dez, aquilo estava certamente em um seis. A maior dor que Lennart sentira em tempos, com certeza. Os nano robôs que habitavam seu corpo não eram capazes de lhe dar uma regeneração como nos quadrinhos e nos filmes de heróis, porém eles eram capazes de diminuir a dor. Agora ativados, o sangue saía do corte feito na perna de Lennart, porém ele ignorou a dor e a cor rubra que tomava conta da parte inferior de sua calça e preparou-se para fazer aquele homem pagar.

E então, o grito. Lennart já tinha visto e ouvido muitas coisas. Já estivera em campos onde as pessoas eram constantemente torturadas, já vira pessoas morrerem dos piores jeitos possíveis, já vira o inferno na Terra. Ouvira os gritos de dor e de medo inundar os corredores dos locais que invadira ou protegera. Mas aquilo... ele nunca ouvira. Aquilo era o grito de uma pessoa que estivera cara a cara com o Diabo e tudo o que pudera fazer foi expulsar o ar de seus pulmões. Aquilo era aterrorizante, porém ele manteve sua postura, não podia vacilar naquele momento. O que quer que causara aquele grito estava vindo. Puxou o cão de seu revólver conforme Akira avançava. Ele teria atirado, mas notou uma movimentação. Por sorte aquela pessoa bloqueara os ataques de Akira, caso contrário Lennart teria sido atingido pelo momento de distração.


- Agora entendo o porquê da Natasha chamar você de exibido - Lennart riu e deu alguns passos para trás, mirando seu revólver para Akira, a mira estando um pouco acima do ombro de Edrik.
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Nymeria Lindberg
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Qua Maio 16, 2018 4:42 pm

- Edrik? - Nymeria questionou, ela reconhecia a voz do irmão, saberia quem ele era mesmo se não fosse isso. Aquela certeza poderia vir da ligação de gêmeos que ambos possuiam, ou pela convivência. O fato era que Edrik Lindberg poderia estar cheio de maquiagem e totalmente disfarçado, mesmo assim Nym o reconheceria. - O que você veio fazer aqui?
- Vocês são realmente exagerados. - o rapaz sorriu, respondendo ao comentário de Len, depois fitando Nymeria. - Eu vim salvá-la, é claro. Aparentemente seu principe encantado chegou antes de mim, mas eu tenho que tirar alguma glória disso, não é?

Ele fez um movimento forte com a espada, empurrando Akira para trás. Com a mão livre, retirou a segunda lâmina que estava presa as suas costas e estendeu seu cabo para Nymeria.

- Certifique-se de terminar isso devidamente, como Nymeria Lindberg faria.

- Você não precisa me dizer isso.
- Então considere como votos de boa sorte do seu irmão mais velho.
- Tanto faz. - Nym corou por alguns instantes, agarrando a espada e caminhando para escorar Lennart. Ela não poderia deixá-lo ali com aqueles dois, só deus sabia o que poderia acontecer. Seus olhos desiguais voltaram-se para o irmão, em agradecimento. - Obrigada, Ed. Tome cuidado com ele.
- Não se preocupe. - o rapaz disse, abrindo um sorriso sutil. - Das últimas duas vezes em que treinamos, eu deixei você ganhar.

Uma ruga de estresse surgiu quase que de imediato na testa de Nymeria ao ouvir aquilo. Ela abriu a boca para protestar ou ameaçar o irmão de morte, mas nesse exato instante Akira saiu de sua posição passiva e atacou novamente. Edrik bloqueou rapidamente os três golpes com a própria lâmina, mas era visível que Akira estava apenas testando se ele era um oponente a altura. Sua intenção era interceptar os outros dois também, mas até mesmo o japonês sabia que contra três ele estaria em desvantagens e teria de usar, bem... táticas questionáveis.

- Vão logo de uma vez. - Edrik alegou, seus olhos fixos no oponente, que crusava mais uma vez lâminas consigo. Eles trocaram golpes uma, duas, três vezes, antes de se afastarem. Nymeria chegou a conclusão que era inútil permanecer ali e puxou Len consigo, na direção da segunda porta, a que dava para os andares superiores.

- Vamos, Len.

Eles passaram pela porta e depararam-se com um corredor. Meio cambaleantes, já que Lennart estava sentindo dor por conta do corte de Edrik e Nymeria ainda tentava livrar-se totalmente dos efeitos das drogas, seguiram por toda a extensão. Haviam alguns seguranças em meio caminho que foram baleados por Len. Nym parecia estar aguardando o momento certo para usar a espada que o irmão acabara de lhe entregar.
Não puderam usar os elevadores, eles haviam parado, provavelmente distruídos na confusão que ocorria no térreo. Seria um suplício subir os dois últimos lances de escadas, mas eles o fizeram. Passo a passo, lentamente, o casal aproximava-se de seu objetivo. Até que, chegando ao último andar, depararam-se com mais um par de portas brancas, que deveriam dar para um espaço amplo.


- Preparado? - Nym perguntou para o rapaz, observando aquelas portas. Ela não fazia ideia do que poderia estar atrás delas. Além de Shadow, é claro. Que tipo de homem ele seria? Que tipo de ser desprezível? Ela não sabia, mas faria questão de empalá-lo com sua lâmina até que a vida deixasse seu corpo. Isso ela garantia a si mesma.
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Lennart Eurus
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Qua Maio 16, 2018 6:23 pm

Len apoiou Nymeria assim que ela se aproximou e apenas assentiu para Edrik, com um sorriso. Ele gostava do irmão de Nymeria, ele ao menos não pegara tanto no seu pé como a gêmea. A mão de Lennart passou ao redor do corpo dela, indo até o outro braço e ele a puxou pelo corredor. Sua mão livre segurava a Kriss Vector, plenamente carregada, enquanto o revólver estava preso na parte da frente de sua cintura. Ele apoiava Nymeria, conforme ambos caminhavam, porém ela poderia notar que ele as vezes precisava se apoiar nela também, devido ao corte que era lentamente tratado pelos nano robôs. O sangramento diminuía com o tempo, porém o dano fora feito ali e a dor existia. Segurando sua sub-metralhadora ele fuzilou os guardas que encontrou, segurando a arma apenas com uma mão. Espalhou mais tiros do que desejava, atirar com apenas uma das mãos era difícil e ele não queria soltar Nymeria. Não agora que a encontrara.

E então vieram as escadas. As malditas escadas. As filhas da puta de umas escadas. Porém, ele as subiu sem reclamar, por mais que a cada degrau que ele subia sua perna esquerda doesse um pouco mais. Após o primeiro lance, ele recarregou todas as suas armas e subiu o próximo lance, pronto para o que estivesse por vir. A interferência fora destruída por John, que agora deixava o prédio para reunir-se com o resto do grupo da Casa, que retornava de suas outras missões, todas ordenadas por Lennart. Hal Emmerich tinha o mapa completo do local, assim como uma leitura de calor de cada pessoa ali dentro e tudo isso estava sendo transferido para o Solid Eye de Lennart. Ele saberia quantas pessoas estavam do outro lado dessa porta e estava pronto para tudo.

- Sim - Ele finalmente soltou Nymeria e segurou a sub-metralhadora com as duas mãos, pronto para disparar no que estivesse ali.
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Nymeria Lindberg
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Qua Maio 16, 2018 9:39 pm

Nym sabia que Len estava sofrendo, mas não havia muito que pudesse fazer para ajudá-lo. Ela não o deixaria para trás, e aquela missão precisava ser terminada, se não tudo aquilo que passaram até ali seria em vão. Claro, seria muito melhor se ela tivesse adentrado aquele lugar sem ter sido sequestrada, mas já que estavam todos lá dentro, o melhor a se fazer era resolver a situação de uma vez.

- Certo... vamos lá. - ela parou um segundo para tocar suavemente seus lábios contra os dele e soltá-lo, sacando a espada e preparando-se para atacar. O aparelho de Len detectaria duas presenças dentro da sala. Nym ergueu as mãos em direção as portas e abriu-as, seus olhos fixos a frente.

Aquela deveria ser a sala do computador central, onde estavam reunidas todas as informações do cabeça da organização. De fato, o super computador fazia um zumbido que podia ser ligado a criptografia ou algum outro tipo de segurança, passando por inúmeros documentos e arquivos. Eles surgiam aleatoriamente na tela, enquanto alguém observava-o de baixo. Não havia nenhhum sinal de drogas, armas ou bonecas humanas por perto, a não ser um pequeno bisturi que a pessoa carregava na mão.Havia um jaleco branco sobre suas vestes de tom neutro. Um capuz cobria seus cabelos e rosto, mas assim que a pessoa virou-se em direção a eles seria possível ver uma máscara de gás cobrindo todo o seu rosto.

- Nymeria... seja bem vinda. Eu preferia que Beyond tivesse trazido-a diretamente até mim, mas aparentemente há traidores em todo lugar hoje em dia.

Apessar da voz estar chiada, talvez pela máscara ou qualquer outra distorção, ela era muito... grave. Tpicamente um soprano... aquilo não era voz de um homem. E olhando bem o corpo desenvolvido em frente a eles, ficaria ainda mais claro.
Tratava-se de uma mulher.
Shadow era uma mulher.


- Eu que o diga. - Nym deu um passo a frente, seus olhos percorrendo toda a sala. Não conseguia ver mais ninguém. Mesmo que Len tivesse alegado que houvesse lá dentro uma segunda pessoa, não conseguia encontrá-lo com o olhar. - Eu diria que é um prazer, mas nesse caso eu estaria mentindo. E eu não costumo mentir.

Aquilo estava irritando-a... uma mulher. Uma mulher trabalhara na fórmula para aperfeiçoar as bonecas humanas... aquilo soava-lhe tão errado. Nym estava totalmente enojada. Ela deu mais um passo, ficando entre Len e a desconhecida, uma sensação de urgência martelando a sua cabeça. Seus olhos agoram estavam fixos no bisturi.

- Eu apenas quero conversar com você. Nós temos objetivos em comum... seja obediente e seu cão de guarda não será ferido.

Os olhos de Nym arregalaram-se numa súbita reação de surpresa. Tão rápido que sua aproximação mal poderia ser notada, o homem de cabelos grisalhos, aquele mesmo que apontara uma arma em sua testa e a levara para a segunda Dark Room, estava ao lado de Shadow, uma pistola apontando diretamente para Len.

- Não se movam... garanto-lhes que esta aqui está devidamente carregada.

O estresse ficou visivel nos olhos de Nymeria naquele momento. Ela queria matar aquele homem e aquela mulher, queria fazê-los sofrer mais do que qualquer coisa no mundo. Queria entregá-los a seja lá o que que estava nos andares inferiores e fizera aquele grito chegar até eles. Ela segurou com mais força o punho da espada, acalmando sua mente. Seus olhos encontraram os de Lennart, ao seu lado, e ela teve a satisfação de vê-lo apontar a arma em direção ao homem. Aparentemente, ambos notaram a presença um do outro ao mesmo tempo. Sua cabeça moveu-se levemente para ele, em um sinal silencioso para não fazer nada por enquanto. Era melhor assim... Nym precisava de tempo para pensar. Um tiroteio naquele momento faria mais mal do que bem.

- Felizmente meu cão de guarda é muito bem treinado. - um sorriso arrogante surgiu em seu rosto. Afinal, ela era Nymeria Lindberg, e Nymeria Lindberg sem sua arrogância natural perdia metade da graça. - Você tem minha atenção, vadia. Pode começar a falar.


Última edição por Nymeria Lindberg em Sex Maio 18, 2018 7:46 pm, editado 1 vez(es)
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Lennart Eurus
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Qua Maio 16, 2018 10:06 pm

Lennart quase fora pego de surpresa. Ele sabia bem que haviam duas pessoas ali dentro, mas a presença de Shadow o distraiu do homem no local. E agora ele tinha uma arma contra a sua cabeça. Porém, o inimigo ainda assim não fora rápido o suficiente e a arma de Len erguera-se, seu cano apontado contra a cabeça dele. E ainda tinha a sua perna. Sua maldita perna. Ele tinha que ter deixado aquele cara se aproximar... Mais um arrependimento para somar na lista quase infindável que ele possuía. Não estava surpreso por Shadow ser uma mulher, as chances sempre foram de 50/50. Ou era um homem ou era uma mulher. Identificações de gênero a parte, a roupa lhe lembrava muito os filmes no estilo mais punk que assistira quando era mais novo, ou aqueles jogos que envolviam uma guerra nuclear.

Ele permaneceu em silêncio, mantendo sua visão focada no homem que estava a sua frente. O Solid Eye já registrara o rosto dele e estava passando-o em um banco de dados único da Casa, logo logo a identidade dele seria revelada. Não havia fantasmas. Não perante os olhos do Imortal. Aquela gravação também estava sendo mostrada para todo o grupo da Casa, então era de se esperar que suporte logo iria chegar. Ou ao menos que estavam avisados de quem teriam que ir atrás, caso tudo falhasse. A arma ainda estava erguida, o dedo no gatilho, pronto para ser puxado. Ao menor sinal de uma movimentação da parte do outro e aquela arma que possuía uma enorme cadência de tiros iria deixar buracos no corpo do homem.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Sab Maio 19, 2018 1:23 am

Enquanto encarava o homem grisalho, as informações que seriam passadas para a casa seriam no mínimo intrigantes. Aquela pessoa se tratava do bode espiatório para a morte da mãe de Nymeria. Era claro que a mídia jamais poderia saber que Vladimir era o autor do crime... nem a sua própria máfia, que tinha sua esposa em alta conta. Então, a culpa foi colocada em um homem que já era considerado um traídor. Ele supostamente teria fugido e fora caçado pelos Lindbergs até ser morto, um tempo mais tarde.
Aparentemente, haviam muitas histórias forjadas naquele lugar.

Nymeria permanecia em silêncio, esperando uma resposta. O único movimento visível nela era o de sua respiração e um eventual piscar de seus olhos desiguais, cravados em Shadow. Lennart estava de olho no segundo oponente... ela podia confiar sua vida a ele.


- Você usa palavras rudes para uma princesa. Não lhe ensinaram nada sobre cortesia?

- Eu sou cortês com quem me convém. Você está apenas me fazendo perder tempo. Objetivos em comum, você diz? Ha! - Nymeria ergueu seu tom de voz um pouco, um nojo evidente sendo passado através dele. - Vendendo drogas, aliciando jovens, raptando garotas inocentes, e o pior! Usando esse mercado miserável de Bonecas Humanas. Não ouse me comparar a você, nnada em comum!
[color=#000000]- Será mesmo que não? - a voz feminina prosseguiu. Shadow deu um passo em direção a Nymeria, o que a fez imediatamente erguer a espada. Não por medo do que aquela mulher faria. Ela simplesmente estava gastando toda a sua força de vontade em não degola-la ali mesmo, naquele exato instante. Len estava ali, ela se lembrou. Lennart estava ferido. Por mais capaz que ele fosse, aquilo certamente o atrapalharia. Se era função dele protegê-la, a função dela era não fazer nada desnecessário. - Um passarinho me contou... que quer matar seu próprio pai.


Os dentes de Nym rangeram. O homem desconhecido permanecia com seus olhos focados em Lennart, a pistola apontada para ele, em silêncio, muito embora as vezes descesse sua atenção sobre a herdeira dos Lindbergs e abrisse um sorriso de alguém que sabia mais do que todo mundo naquela sala.

- Não vejo como isso pode ser da sua conta. São assuntos de família. Não influenciam em nada essa cidadezinha.
- Você é tão segura de si mesma... uma pena que é tudo uma farça.
- Vindo de alguém que usa uma máscara de gás para proteger a própria identidade. Poupe-me dessa hipocrisia, está começando a me irritar.

A mulher continuava se aproximando. Nesse ponto, era de se imaginar que aquela pausa logo seria quebrada. Nymeria o fez, dando um passo a frente. Sua intenção não era matá-la. Não, ela não aceitaria matar alguém sem saber o que havia em seu rosto. Sem ter a satisfação de vê-la implorar. Nymeria Lindberg tinha um bom coração lá no fundo, mas ela aprendera com o mestre como ser sádica, mesmo que esse nunca fosse seu objetivo. A lâmina da espada subiu para cortar as tiras que prendiam a máscara a cabeça da mulher desconhecida. O homem grisalho, por sua vez, ameaçou mudar o alvo para ela, o que sem dúvida terminaria com uma curta salva de tiros. De qualquer forma, a máscara foi arrancada definitivamente do rosto da mulher pela mão de Nym, que, ao ser mirada - mesmo com a provável resposta de Lennart - logo recuaria novamente, os restos da máscara entre os dedos. Diante do ataque, o capuz da mulher também caiu, e ela precisou dar dois passos para recuperar o equilíbrio. Uma cascata de cabelos loiros, que caiam apenas do lado direito da cabeça, já que o outro fora raspado e exibia cicatrizes de alguma cirurgia arriscada, ficou visível.

Mesmo assim, Nymeria demorou para perceber. Ela não viu num primeiro momento, justamente pela comoção com Lennart e o homem. Agora, ainda segurando os restos da máscara com uma das mãos, Nym ergueu a cabeça, uma expressão indecifrável tomando conta de sua face.


- Ah... assim está melhor... não poderia de forma alguma finalizá-la sem saber quem estava por trás da...

Então, os olho azul ciano e vermelho encararam um par de olhos azuis. OLhos azuis muito familiares. E um rosto ainda mais familiar, envelhecido pelo tempo ou quem sabe pela dor. Marcado por uma loucura que não era nada familiar.
Pela primeira vez, desde que Lennart conhecera Nymeria, aquela Nymeria que era forte, e centrada, e aguentava quase tudo que era jogado sobre ela... pela primeira vez ele viu medo naqueles olhos. Eles haviam arregalado-se num resultado de surpresa e pavor tão grandes que aquela garota, por um momento, pareceu-lhe uma criança.
Uma criança vendo algo impossível.
Suas mãos ficaram totalmente moles. Tanto os restos da máscara de gás quanto a espada foram largados de qualquer jeito no chão enquanto Nym perdia a sensibilidade das próprias pernas, caindo ajoelhada no chão.


- Ma...mãe...
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Lennart Eurus
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Sab Maio 19, 2018 2:08 am

Lennart não escutava as palavras que as duas trocavam, não era de seu interesse, ele apenas queria garantir de que aquele homem manteria a pistola apontada para ele e não para Nymeria. Saber o passado dele ajudava um pouco também, fazia sentido tendo em vista que os Lindbergs estavam opostos ao que estava acontecendo ali, talvez aquela fosse mais uma aliança surgida da vontade de ferrar com Vlad e com a máfia russa inteira. Vingança sempre era uma boa motivadora e era uma que Lennart compreendia bem. Porém, as motivações daquele homem não lhe importavam nem um pouco. Sendo culpado de algo que não fez ou não, ele era uma ameaça, e como um bom cão, ele iria proteger a sua dona.

No momento que ele ameaçou mudar a mira para Nymeria, Lennart disparou. Não contra a cabeça, que era onde estava mirando, ele ainda queria questionar aquele homem depois, ou até mesmo levá-lo para Vlad. A única bala que deixou a arma de Lennart atravessou o local que unia o ante-braço com o braço. Basicamente, a movimentação daquele braço havia sido eliminada, portanto puxar um gatilho estava fora de questão. Mas isso não era o suficiente. O pé direito de Lennart deixou o chão, subindo e atingindo o homem diretamente no queixo, com esse chute giratório, Lennart o jogou para trás, a arma sendo soltada.



O assassino a pegou antes que ela caísse no chão e correu para cima do homem, puxando o braço ferido dele e juntando o mesmo as costas, mantendo um joelho na base da coluna dele e usando a arma que o homem apontara contra ele para disparar três vezes contra o chão, os três disparos passando perto do rosto dele. Disparos de aviso. Além da dor que ele estaria sentindo, aquilo era o que dizia para ele não se mover.

- Nem tente - Lennart soltou um aviso vocal, apenas para colocar a cereja no bolo. O som da espada caindo no chão fez com que ele olhasse para trás e visse Nymeria, ajoelhada. Lennart olhou para Shadow e a única coisa que deixou sua boca foi - Holy shit.
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Nymeria Lindberg
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 1:20 pm

Tudo aquilo ocorreu muito rápido. Infelizmente para o desconhecido de cabelos grisalhos, apontado pelas informações recolhidas como Nicolai Makarov, ele saiu na pior para Lennart. O homem havia mirado Nymeria acreditando que a mesma mataria Shadow naquele movimento, e portanto se desconcentrara do outro inimigo. Fora um erro bastante amador, mas mesmo com a dor que sentia, o sangue escorrendo pelo rosto e pelo braço atingidos, ele conseguiu dar uma risada. Isso porque, independente de como aquilo terminara para ele, só havia uma certeza lógica a se seguir:

Nymeria Lindberg jamais mataria a própria mãe.


- Bem... eu preferia revelar isso de uma forma mais agradável, mas você é muito apressada.
- Como? Eu vi você ser baleada... - Nym olhava em choque a área com falta de cabelo que a mãe possuía. Certamente fora uma cirurgia complicada, pela qual passara.
- Como alguém sobrevive a um tiro na cabeça? Por um fio... não fosse por Nicolai, eu certamente estaria morta. Por Nicolai... e é claro, por você ter desviado a atenção de Vladimir...
- Vocês três não eram os únicos naquela sala. - o homem, ainda preso por Lennart, tossiu.

Nym repassou os eventos na sua cabeça. Era muito dificil para ela entender naquele momento como aquilo terminara assim, talvez pelo choque. As lembranças estavam vívidas em sua memória, porém. ela estava voltando de uma das aulas de esgrima quando ouviu a discussão entre a mãe e o pai. Quando aproximara-se da porta que dava para o salão onde ambos estavam, ouviu o som do tiro, e viu quando sua mãe caiu no chão, envolta em sangue. Tudo após aquilo foi uma sucessão de cenas ágeis. Ela atacara o pai de tal forma que o empurrara para uma sala adjacente, e ali ele contra atacou, atirando nela também, a bala passando de raspão. Nym foi duramente repreendida e humilhada, ao ponto que sua consciência se esvaíra totalmente com um segundo golpe do homem, dessa vez com as mãos. Forte o suficiente para desmaiá-la.

- Não era apenas vocês três que estavam na sala. - Nicolai sorriu, um tanto quanto pérfido. - Por que você acha que sua mãe foi alvejada, para começo de conversa?

Traição? Ou algo bem próximo disso? Nym não conseguiu manter a cabeça erguida. Os longos cabelos prateados, espalhados pelo piso do mais puro branco, esconderam totalmente seu rosto.

- Não era como se eu estivesse traindo seu pai... ao passo que ele, obviamente, não conseguia ser fiel àquela altura. Naquela época eu ainda era uma tola, acreditando que um dia ele pararia, que perceberia que me amava realmente. - ela estalou a língua. Apesar da maneira calma que parecia falar, Lennart via loucura na face dela. Como se o tal tiro que ela levara e quase a matara tivesse levado embora toda a sua sanidade. - Não... Vladimir só consegue amar ele mesmo... isso se realmente sente isso que chamamos de amor. Mas veja bem... havia outra pessoa que me amava de verdade lá dentro. Como um homem deve amar uma mulher.

Ela fez um movimento suave em direção a Nicolai. Shadow, ou Ania, parecia tão desconexa que nem o fato de seu pretenso amante estar em perigo parecia causar-lhe algum tipo de reação.

- Eu nunca trai Vladimir... mas naquele dia... naquele dia que Nicolai declarou o que sentia por mim, eu estava tão farta de tudo que desejei ter traído. E teria feito, se Vlad não tivesse chegado naquele exato instante. Eu mandei Nicolai para uma das muitas salas adjacentes que saíam do salão principal e esperei Vladimir... e minha frustração, tanto quanto a dele, explodiram. Eu devo ter jogado muitas coisas na face dele para que resolvesse atirar em mim... - ela deu de ombros, com aquela afirmação deixando uma margem de dúvida... aparentemente, Ania não se lembrava de como aquele encontro fatídico terminara. Ou pelo menos não sabia exatamente o porquê de ter sido baleada.
- Eu a tirei de lá... enquanto você bancava a isca viva. - Nicolai sorriu vagamente para Nymeria. - Foi absolutamente dificil achar um médico do Submundo tão rápido, mas tive sorte. Regojize-se, princesinha. Você possibilitou a salvação de sua querida mãe.

A mão livre de Ania passou pelo topo da cabeça de Nymeria, num afago breve.

- Minha amada filhinha. Você fez muito bem.


Um caixão fechado, a caçada por Nicolai... Nymeria sentia-se tola. Era claro que havia a possibilidade de que, como o próprio Vlad matara Ania, ele não quisera envolver nenhum membro da perícia no seu assassinato. E ele tornara-se especialista em provocar Nym, então impedi-la de ver o corpo da mãe fazia sentido. A verdade era que não havia um corpo desde o começo. E apenas Vladimir e Nicolai sabiam daquilo.

- Quando despertei novamente, eu era uma pessoa nova. Repleta de rancor, ódio e desejo por vingança. Eu queria destruir seu pai pelo que ele fizera comigo, mas não faria sentido apenas matá-lo, não... Vladimir precisava pagar, precisava sofrer. E o que seria pior para ele ter seu império do qual tanto se orgulhava decaindo, para ser extinto logo após?
- Você criou a nova fórmula. - sussurrou Nymeria. - Uma mulher brilhante... esse tipo de coisa só poderia ser feita por alguém assim.
- Exato... eu evoluí o processo para criar Bonecas Humanas. Lentamente, fomos expandindo nossos negócios para todo o tipo de ramo criminoso nessa cidadezinha. E funcionou, não é mesmo? Nós chamamos a atenção de Vlad... e de você.
- Você não percebe, Nymeria? Desde o começo... você nos ajudou. Mesmo sem saber.

Ela fora uma isca involuntária, ajudando os outros dois a escapar. Nymeria agira contra o pai várias e várias vezes, sabotando projetos que visavam a evolução da máfia dele, principalmente quando o assunto era Bonecas Humanas, um ramo que nunca deixara os Lindbergs se envolverem. Sem se dar conta, Nym apenas abrira mais magem para que o tal Shadow se torna-se cada vez mais influente, sobrepujando Vladimir e, consequentemente, tornando-se uma dor de cabeça para os Darkness também.

Nym sentia-se numa casa de bonecas, num teatrinho idiota. Tudo que ela acreditara até então era uma mentira descarada. Em momento algum ela sofrera realmente perigo enquanto buscava por Shadow. Parando para analisar bem a situação, a garota só saíra de muitos encontros com arranhões e alguns ossos fora do lugar. Em uma das sedes menores, no encontro com Beyond e no mais recente bloqueio de Akira... a única pessoa que de fato poderia ter morrido em todas essas situações fora Lennart. E isso não aocntecera justamente por ele ser bem treinado.
Até mesmo acreditar que Edrik estava naquele lugar para salvá-la era um equívoco. Não havia como ele infiltra-se tão pouco tempo. Ele já estava lá dentro a algum tempo, certamente, procurando por outra coisa... apenas parara seu objetivo principal para ajudar Nymeria, quando soubera que fora raptada.


- Mais um pouco e poderemos esmagar Vladimir completamente. Pare os ataques ao prédio e as outras sedes menores, una-se a mim... vamos trabalhar juntas pela derrocada do Líder Lindberg e acabar com ele. Unidas... como isso tudo começou. - a mão de Ania deixou o topo da cabeça de Nymeria para estender-se de frente a ela. Uma sugestão de cessar trégua, e um acordo a ser firmado.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 1:49 pm

Assistindo através de uma tela, sentado confortavelmente em uma poltrona reclinável, com um charuto em sua boca, a expressão do Imortal era severa. Haviam certa variáveis ali que tornava tudo muito imprevisível no quesito da identidade de Shadow, a mãe de Nymeria nunca chegara a ser cogitada por ele. Mas ali estava ela, viva, falando com sua filha enquanto um Lennart confuso observava a situação, incerto do que fazer. Fora até ali para matar Shadow e recuperar os planos, como lhe fora comandado por Nymeria, porém agora não podia simplesmente fazer isso. Retirou o charuto de sua boca e soltou a fumaça para cima, uma situação complicada, que não poderia ser simplesmente resolvida com palavras e sentimentos. Ele levantou-se de sua poltrona, com um dos Fúrias ao seu lado, seu rosto escondido por um capuz.

- Se Lennart ou Nymeria não matarem essa pessoa, quero todos vocês naquele prédio. Qualquer oposição terá que ser eliminada, não deverá haver sobreviventes de nenhum dos lados - Ele virou-se de costa para o Fúria, que curvava-se e saía do local. Caminhou até um dos vários criados mudos que haviam no local, pegando uma foto que havia em cima de um deles. Um homem, de cabelos negros e olhos igualmente negros estava nela, segurando em seus braços uma garota de oito anos de idade, de cabelos igualmente negros e olhos azuis. Havia uma mulher ali, suas mãos envolvendo a cintura desse homem, seus cabelos eram castanhos ondulados, olhos de um azul claro. E atrás deles, sorrindo alegremente, estava Sigmund, erguendo suas duas mãos, os dedos indicadores e do meio formando um V - Você teria percorrido a mesma distância que eu, meu irmão Lennart? Suponho que não. Eu sempre fui o mais instável.

O outro Lennart, o filho adotivo de Sigmund, agora tinha sua Kriss Vector apontada na direção de Shadow, porém seu dedo estava longe do gatilho. Como ele poderia matar a mãe de Nymeria? Porém, aquela loucura nos olhos dela. Seu instinto lhe gritava para puxar o gatilho, para por um fim a tudo. Mas seus sentimentos lhe falavam que aquilo era errado. Teria sido correto deixar que Nymeria reanimasse aquelas emoções que um dia ele matara? Se ela não o tivesse feito, tudo teria sido mais fácil. E por um segundo, ele se odiou. Pois sentiu arrependimento por se apaixonar por Nymeria. Tudo aquilo estava confundindo-o demais. Até que ele viu a mão de Ania ser estendida e seu dedo pousou no gatilho.

- Nymeria - Ele chamou, rezando para que sua voz fosse o suficiente para alcançá-la - Não. Por favor, qualquer coisa, menos isso. Esse caminho é um que não posso seguir.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 3:04 pm

Houve uma pausa. Como se aquela cena tivesse sido parada no tempo. Pareceria a todos os envolvidos que estavam ali, estáticos, esperando a resposta de Nymeria, por séculos. Por fim, a mão pálida da garota ergueu-se e segurou a da mãe. E um sorriso de satisfação cruzou o rosto dela, assim como o de Nicolai.

- Sábia decisão, minha criança. Nós duas seremos invencíveis juntas.
- Ah... - a voz de Nymeria parecia decepcionada. Como se todo o mundo a tivesse traído. - Eu tinha esperanças que fosse um sonho ruim. Mas você é real.

O rosto dela ainda estava voltado para o chão. Seus ombros moveram-se lentamente, como se carregassem um fardo muito, muito pesado.

- Eu sempre quis que você não tivesse levado aquele tiro... que eu acordasse um dia e descobrisse que você estava viva, e tudo que eu passei até hoje fosse algum tipo de pesadelo. - e aquilo era uma verdade. Antes de Lennart entrar em sua vida, Nymeria apenas passava por ela com um objetivo em mente. Ela mataria Vladimir. Ela faria isso, com toda a certeza! Mas então Nymeria conhecera Lennart, se apaixonara por ele, casara com ele... esse desejo que tinha, de Ania estar viva e bem, foi desaparecendo. Porque se tudo tivesse ocorrido de maneira diferente, talvez ela jamais teria encontrado Len. Ou mesmo Dancer. - Mas agora, pela primeira vez na vida, eu estou desejando... que você estivesse de fato morta, desde o começo.

Ela largou a mão de Ania. Seu rosto ergueu-se. Havia decepção, frustração e tristeza, acusação... mas também uma determinação fria.

- Minha resposta é não. Eu nunca aceitaria ficar ao seu lado depois de ter feito coisas tão vis.
- Nymeria... - a voz de Shadow também estava entrecortada, triste. Como se estivesse realmente sofrendo com aquela resposta, sua mão estendeu-se uma vez mais. - Pense bem... você me ama. Venha com sua mãe... vamos ficar juntas de novo, não era o que você tanto queria?
- Eu não quero mais. - Nymeria balançou a cabeça. - Não essa você. Não essa coisa corrompida que você se tornou! A única coisa que eu sempre quis foi ser como você, porque eu a admirava mais do que qualquer um, e você tornou-se aquilo que eu mais abomino na face da terra! Eu não vou compactuar com isso!

A expressão de Ania foi caindo para algo indiferente. Ela segurou firmemente o bisturi que ainda tinha em uma das mãos e deu um passo a frente, sua mão livre agarrando o pescoço de Nym e empurrando-a para baixo, de maneira que ficasse abaixo da mulher. A respiração de Ania acelerou-se, mostrando irritação e mais daquela loucura que Len poderia notar desde que a sua máscara caíra.

- Então você se tornará minha mais maravilhosa boneca. - seus olhos diziam tudo... naquele mar azul estava claro o que ocorreria a seguir. Ania não pararia... ela fora corrompida a um ponto em que o retorno era impossível. E não hesitaria em transformar Nymeria numa boneca humana, começando ali mesmo naquele mesmo local. - Seus belos olhos desiguais, que você puxou dele... eu irei arrancá-los e me livrar deles.


O bisturi desceu velozmente, mirando um dos olhos de Nymeria. Nesse meio tempo, em que Len certamente tivesse movido-se para protegê-la, Nicolai tomou o rumo da situação e recuperou a arma com o braço bom, mirando-a no guarda-costas e atirando. Nym, por sua vez, ergueu uma das mãos para segurar o pulso de Ania, com dificuldade impedindo-a de furar-lhe. A lâmina parou a centímetros de seu orbe vermelho. Tão próxima que, mais um pouco, teria deixado-a cega daquele olho.

- Não... você não vai. Eu não me tornarei seu sacríficio dessa vez, mãe. - Nymeria usou a outra mão para socá-la. Aquilo doeu muito mais do que esperava, em algum âmago de si mesma, mas forçou-se a continuar, afastando ainda mais a mão com o bisturi de sua face ao ponto de poder girar o corpo e ficar por cima da mãe, sem correr o risco de perder o olho nesse meio tempo, o bisturi sendo solto e caindo no chão. - Isso é... um assunto de família... eu tomarei a responsabilidade.
- Você não vai me matar, Nym. Eu sou sua mãe... você me ama demais para isso.

Nymeria tateou sofregamente pelo chão, ignorando o bisturi e segurando o cabo da espado que Edrik lhe trouxera. Ela não saberia dizer se o rapaz soubera o tempo todo da verdadeira identidade de Shadow... se ele não sabia que se tratava da própria mãe. Nymeria não sabia o que ele fora fazer lá dentro, mas as palavras dele vieram a sua cabeça.

"Certifique-se de terminar isso devidamente, como Nymeria Lindberg faria."

Aquilo a mataria por dentro. Nym sabia daquilo, ela sabia quando ergueu a lâmina da espada, pronta para perfurar o peito da mãe. Ela sabia que quando aquela arma descesse, não haveria volta. Suas mãos tremiam. Mais uma vez Nymeria paralisou-se, incapaz de se mover.
Ela sabia que alguém fizera a cabeça de Ania. Esse alguém certamente era Nicolai. Por mais que a cirurgia na cabeça tivesse afetado um pouco a personalidade e entendimento de sua mãe, ela era boa. Por mais que um sentimento de vingança crescesse em seu interior, Ania Lindberg jamais envolveria inocentes... mais do que inocentes, crianças e jovens com futuros brilhantes pela frente, que acabavam como brinquedo sexual de pedófilos e doentes mentais.
Nicolai certamente mexera os pauzinhos, aproveitando-se da confusão dela para incitá-la contra Vladimir. Afinal, a culpa da morte de Ania caíra sobre ele... ele também fora caçado.
E sua mãe terminara assim.
Nymeria Lindberg não suportaria vê-la presa. Numa prisão ou num hospício, ela não queria esse fim para a mãe que tanto amara. Mesmo que sua sanidade pudesse retornar, Ania se culparia e seria destruída pelas coisas que fizera naqueles últimos anos. Não havia salvação para ela.
Nym sabia disso.
Mas a dor veio tão potente como se ela não soubesse.
Quando a lâmina desceu e perfurou o peito da mãe, foi como se tivesse destrinchado o próprio coração. Nymeria viu a boca de Ania movendo-se, numa súplica ferida e infeliz, carregada de significados que fariam-na sentir-se culpada.
Então, ela parou de se mover, expirando uma ultima vez.

Nym não fez nada, nem disse nada, o corpo paralisado naquela posição, as duas mãos segurando o cabo da espada que atravessara Ania. As lágrimas vieram depois, escorrendo or todo o seu rosto e caindo na face da mãe. E, por fim, veio o grito.
Um grito de revolta, de dor e de uma tristeza infinita. Um soluçar desesperado de uma criança que crescera cedo demais e tivera de cometer o pior crime de sua vida.
Nymeria Lindberg havia matado Shadow, como prometera. Mas agora estava em pedaços.


E mais uma vez, a arma de Nicolai virara-se para suas costas, dessa vez determinada a matá-la.

- Maldita... o que você fez!?
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 3:31 pm

As vezes Lennart odiava seus instintos. Pois eles faziam com que ele tomasse decisões estúpidas. Quando ele viu Ania avançar sobre Nymeria, ele deveria ter atirado contra ela, mas tudo o que seu cérebro conseguia gritar era que ele precisava afastar Nymeria daquela mulher. Ele saiu de cima de Nicolai, correndo na direção de Nymeria, notando seu erro momentos depois. Ele conseguiu apenas ouvir um som de um disparo, uma dor expandindo-se em suas costas, e ele foi ao chão. Em algum lugar, ele ouvia a voz de Sigmund gritar algo para ele. As palavras não estavam chegando claras em seus ouvidos, tanto o estampido do disparo como a dor se alastravam rápidas demais. É claro, o colete que usava absorvera o dano, mas sua cabeça batera no chão e ele agora estava zonzo, sem saber o que faria. Escuro. Ele enxergou preto por um único momento. E quanto sua visão voltou, Nymeria matava a sua mãe. Nicolai passou por cima dele, e Lennart sabia o que estava por vir. Nymeria não conseguiria reagir àquilo, a distância de Nicolai era maior e a garota não estava em condições de combate. Antes que o gatilho fosse puxado, a mão de Nicolai foi erguida para cima, o disparo certamente indo para o teto.

- Você deveria ter mirado na cabeça - Lennart falou, doía para ficar em pé, tudo ali machucava. Lennart desferiu um soco contra o rosto do homem, um golpe pesado, de alguém que vinha lutando desde sua infância. Mas também era um golpe de proteção. Era como a patada de um leão, que lutava para proteger algo importante para si. Quando o homem cambaleou com o golpe, Lennart puxou uma segunda pistola que possuía, disparando contra o pescoço dele. Um dardo, uma arma feita para apagar seus inimigos e não matá-los. Por mais resistente que aquele homem fosse, aquela dose derrubaria até mesmo Nymeria, que era naturalmente resistente a todos os tipos de venenos e substâncias daquele tipo - Eu tenho algo guardado para você depois.

Ele cambaleou na direção de Nymeria, o ferimento em sua perna havia sido reaberto, o sangue fluía para fora como se fosse água. E Lennart estendeu sua mão para frente, tentando alcançar a garota que ainda estava distante. Nymeria poderia ver o único olho visível dele fechar-se, conforme ele caía para frente. Seu rosto atingiu o chão, porém não houve reação da parte dele. Por um único minuto, Lennart permaneceu imóvel, tal qual Ania. Porém, antes que o desespero pudesse por fim entrincheirar-se no coração de Nymeria, o olho de Len voltou a se abrir. Vivo. Ele estava vivo. Mas não iria durar muito. Precisava de cuidados médicos urgentes

~X~

No andar de baixo, o Inverno Soviético eliminava o último capanga de Shadow naquele lugar. Haviam baixas em ambos os lados, mas consideravelmente menos do lado dos russos. Aquelas drogas que eles possuíam viravam qualquer luta a seu favor, mesmo que alguns eventualmente morressem. Afinal de contas, não existe nenhum tipo de droga mágica capaz de regenerar um cérebro explodido por uma bala de um fuzil. As mãos de Jacket estavam repletas de sangue, na realidade, ele em si estava repleto de sangue da cabeça aos pés. Ivan dava uma ordem para que eles reunissem os corpos dos soldados do Inverno Soviético e os queimassem, como era de costume do grupo. Eles não deixavam seus cadáveres para trás. E então, descendo a escada, estava ele. O verdadeiro Jacket. A diferença entre os dois era como da noite para o dia. Automaticamente o Inverno Soviético ergueu suas armas, porém o falso Jacket ergueu sua mão, pedindo para que eles abaixassem as armas. A máscara de galo do farsante foi ao chão, revelando cabelos cianos e olhos verdes. Ivan havia feito sua pesquisa sobre a Academia Windfall o suficiente para conhecer alguns alunos que se destacavam.

E se tinha alguém que se destacava em uma multidão, esse alguém era Noah Smith, mais conhecido como Biker.


- Eu sabia que você viria até mim uma hora ou outra - Disse Noah, tirando aquela jaqueta e deixando que ela fosse ao chão. Já não precisava mais se fantasiar como Jacket, uma vez que o verdadeiro estava ali - Foram eles que te mandaram? Ou você que não gosta de deixar sobreviventes?

Não houve resposta, o homem da máscara de galo desceu as escadas. Trazia consigo um fuzil que o grupo de Shadow normalmente usava e tinha mais sangue em seu corpo do que no de Noah... ou no de qualquer um ali. Ele parou na frente de Noah e ergueu o fuzil, colocando-o contra a barriga dele. Ivan fez menção de se mover, mas novamente Noah ergueu sua mão.

- Tem que ser assim - Seus dedos da mão direita assumiram o formato de uma pistola e ele colocou eles embaixo do queixo de Jacket, forçando um pouco a máscara para cima - Bang.

Jacket disparou, sangue voando para fora do corpo de Noah, conforme ele caía para trás. Ele havia recebido um presente em seu quarto, uma máscara idêntica a de Jacket e uma jaqueta igual também. Havia encontrado um Inverno e juntado-se a ele. Seria aquela a gentileza que seria oferecida a ele? Internamente, o rapaz riu, conforme caía no chão. Jacket não era um ser de gentilezas. A arma foi largada no chão e o homem mascarado deixou o local, sem interferência do Inverno Soviético. Ninguém ali conseguia se mover, não contra aquela presença quase demoníaca que o homem possuía. Ele morreria lentamente. Mas tinha que ser assim.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 4:12 pm

Fora a voz de Len que tirara-a de seu primeiro estado de catatonia. Quando sua mãe dissera todas aquelas coisas e a convidara para unir-se a ela, não era que Nym estivesse na duvida. Ela simplesmente não sabia o que fazer. Ela sabia bem a decisão que devia tomar, mas de resto... era como se o tempo que passara ali, com a cabeça baixa, estivesse apenas adiando o inevitável.
Ela odiou Lennart Eurus por tirá-la daquele marasmo. Mas ela amou-o igualmente por isso.

Agora, quebrada a um nivel irreconhecível de si mesma, fora Lennart que a despertara também. O tiro que acertara o teto chamara sua atenção, tirando-a do poço de dor e sofrimento onde se encontrava. O primeiro, aquele que atingira Lennart, passara despercebido, diante da situação tensa em que Nym se encontrava. Ela voltou seus olhos lacrimejantes na direção dele, a tempo de vê-lo erguer a mão em sua direção e cair.
Seu coração falhou uma batida, prestes a perder-se completamente... então Lennart abriu os olhos.
Nymeria abandonou o corpo da mãe imediatamente. Ela foi ao chão e subiu a cabeça de Len para seu colo. A ponta de seus cabelos prateados estavam banhados em sangue, dando um contraste doentio com sua aparência normalmente de boneca.


- Len... Len aguente firme.

Por favor... por favor, por favor, por favor... que eu não perca ele também.

Nym não costumava rezar, mas daquela vez ela o fazia. Se matar Ania já havia acabado com ela, perder Len seria quase como uma segunda morte. Não restaria nada para Nym quando ele se fosse. Ela não conseguiria lidar com a tristeza. Abraçando-o forte contra si, lembrou-se do que Len lhe explicara enquanto subiam para encontrar Shadow... que ele estava junto do Inverno Soviético, trocando informações com eles para encontrá-la. E que eram Ivan e os outros lá em baixo, causando a distração.
Ela não pensou em mais nenhuma consequência. Seu rosto aproximou-se do dele, na região do pescoço, e Nym pôs-se a falar, a voz ainda trêmula. Seria perceptível para qualquer um que ouvisse o quanto ela estava nervosa.


- Ivan... venha até mim. Eu estou no último andar, e Len está... ele foi baleado. Por favor, venha rápido!

Ela não poderia movê-lo, arrastá-lo escadas abaixo pioraria sua situação. Nym não possuía mais força para aquilo. Ela acariciou lentamente o rosto dele, suas mãos tremendo desesperadamente. Por um minuto esqueceu-se do corpo da mãe, ou de Nikolai, inconsciente. Se Nymeria perdesse Lennart, nada daquilo teria valido a pena...

- Nymeria. - a voz de Edrik chegou até ela. Nym moveu sua cabeça para observá-lo por sobre o ombro. Seu irmão tinha alguns cortes pelo corpo, mas parecia bem. - O que...?

Ele parou de falar, seus olhos descendo sobre Ania. Naquele rosto que possuía algo de misterioso, uma tristeza muito grande surgiu. Nym não tinha como saber se era pela mulher que um dia ela fora. O rapaz colocou um joelho no chão, ao lado do corpo, e com a mão direita fechou os olhos, abertos, repletos de acusação.

- Descanse em paz, mamãe.

- Você sabia... você sabia que era ela?
- Não. Eu passei a desconfiar, contudo. Quando me infiltrei aqui.

NYmeria não disse nada. Ela esforçou-se para descer uma das mãos e pressionar o ponto onde Len havia levado o tiro, tentando de alguma forma deter a hemorragia, sem sucesso algum. Edrik caminhou até ela e agachou-se, rasgando um pedaço da blusa que usava e envolvendo o local ferido. Não seria o bastante... aquilo era apenas uma maneira de adiar um pouco a situação. Se Ivan não tivesse uma solução, Lennart certamente morreria.
As lágrimas voltaram a escapar dos olhos de Nymeria. Edrik, silenciosamente, limpou-as.


- Vai ficar tudo bem.
- Por que você veio aqui? Por que estava infiltrado, afinal?
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 4:59 pm

- Subindo - Foi a resposta de Ivan, perante a dor na voz de Nymeria.

Na verdade, o assassino poderia morrer na opinião dele, mas ele sabia o quão importante ele era. Na verdade, com aquele pedido de Nymeria ele entendeu a situação inteira, sabia muito bem que ambos deveriam estar juntos, no sentido romântico. Mas não havia tempo para a raiva, ou para a decepção. Se a sua Pequena Princesa desejava salvar Lennart, Ivan faria o seu melhor para que aquilo acontecesse. Apesar de ser grande e extremamente musculoso, Ivan também sabia ser rápido, até porque parte do White Russian ainda corria por suas veias. Lennart, no chão, no colo de Nymeria, parecia estar engasgando-se com o próprio sangue. Ele virou seu rosto para o lado e cuspiu para fora o líquido vermelho. Hemorragia interna, provavelmente vinda de algum dos vários ferimentos que ele adquirira durante aquela missão de resgate. Ivan rompeu pela porta, sem olhar para os corpos caídos e ajoelhou-se ao lado de Lennart, puxando uma siringa com um líquido verde dentro.

- Se isso não te curar, vai deixar você em um estado de raiva tão imenso que você não vai conseguir distinguir aliados de inimigos. E aí eu vou ter que matar você. Então reze, dinamarquês - Ivan era uma pessoa com pouco tato, indo sempre direto ao assunto. Ele injetou o líquido em uma das veias do braço de Lennart e esperou. Os olhos do assassino se fecharam. Talvez, apenas talvez, aquela injeção que antes parecera mágica tivesse falhado. Ou então, teriam que matar Lennart.

Seus olhos se abriram novamente e ele inspirou ar profundamente, levantando-se do colo de Nymeria, empurrando Ivan para o lado, assim como Edrik. Ele afastou-se um pouco do grupo, caindo de joelhos no chão e agarrando o seu peito, arfando como se tivesse corrido por vários quilômetros. O assassino ficou de pé e voltou seus olhos para o trio. Completamente sãos. As feridas estavam lentamente se fechando, perante os olhos de todos ali. Até mesmo a da perna, que havia sido a causa principal da quase morte dele, estava sendo curada. Era um verdadeiro milagre.

- O que é essa coisa? - Perguntou um Lennart ainda um tanto esbaforido, checando seus ferimentos agora fechados - O que tem nessa coisa?

- Quanto menos você saber, melhor - Disse Ivan, levantando-se e olhando para o corpo de Ania, seus olhos se arregalando - Mas o que?

Ele caminhou até o corpo e se ajoelhou ao lado dele, por mais que houvessem suas mudanças, ele era capaz de reconhecer o rosto da esposa de Vladimir. Então ele notou o homem que supostamente havia matado Ania, ali, apagado. Ficou ainda mais confuso. Ivan não sabia. Não tinha como saber. Vladimir jamais o contaria e Nymeria nem tentara. Ivan ficara no escuro por um bom tempo.

- Expliquem - Ele pediu, sem olhar para eles. Não estava saindo como um pedido, mas sim como uma ordem, algo estranho vindo de Ivan. Ele também parecia estar bem, bem irritado.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 5:29 pm

Se Edrik pretendia responder a pergunta de Nym, ele calou-se com a chegada de Ivan. O rapaz poderia imaginar o que o líder do Inverno Soviético faria para salvar Lennart. Era bastante perigoso, e se falhasse seria uma dor ainda pior para Nymeria, que veria a pessoa que amava ser sacrificada. Mesmo assim, não havia mais nada para fazer. Era isso ou aceitar a morte de Len, e o rapaz sabia, igualmente, que isso Nym não faria.

Ele afastou-se rapidamente do corpo de Len ao seu empurrado. Nym foi forçada a soltá-lo também. Seus olhos desiguais estavam presos em Lennart, vendo seu corpo contorcer-se, a mão presa ao peito. Agonia pura parecia ter se diluído nas veias dela, mas por mais que desejasse tocá-lo, Nym não se moveu. Ela sentiu novamente a mão de Ed sobre seus ombros e prendeu momentaneamente a respiração, observando seu marido antentamente. Então os olhos dele se reabriram, sãos, e muito do peso que fora colocado nas costas de Nymeria aquele dia pareceu desaparecer. Sem pensar no que os outros presentes pensariam, ela pôs-se de pé e correu para Len, abraçando-o forte, os longos cabelos prateados fazendo gotas gotas de sangue respingarem pelo chão.

- Len... pensei que iria perdê-lo também. - seus olhos estavam secos, mas pela agonia no rosto dela Len poderia perceber o medo que a garota tivera. Ele realmente vira uma faceta muito diferente de Nymeria naqueles ultimos momentos. - Obrigada... Ivan.

A gratidão transparecia em seus olhos ao voltarem-se para o tio. Entretanto, naquele exato momento ele percebeu o corpo de Ania. Então, Nymeria suspirou. Ela ficou um bom tempo em silêncio, antes que conseguisse recuperar a sanidade necessária para contar o que fora feito com ela... o que fora feito com a mãe.

Edrik, por sua vez, estava também silencioso. Pelo olhar que ele possuía, era de se imaginar que ele soubera daqueles eventos também... pelo menos dos eventos em que Nymeria estava envolvida, sobre o suposto falecimento da mãe pelas mãos de Vlad. Afirmando que sabia disso a muito tempo, tendo pesquisado por fora a anos a morte da mãe, assim como aquele desgosto que Nym tinha pelo pai, o rapaz caminhou até o computador e teclou alguns atalhos.

- Você perguntou o que eu estava fazendo aqui, irmã. Essa é a resposta. - assim que ele terminou de iniciar o sistema, inúmeros rostos de um garoto caricato, parecido com um vocaloid, de cabelos curtos e loiros e olhos cor de mel, surgiram na tela, dançando e rindo.

- Um virus?
- Exato. Por mais que Beyond tenha uma fidelidade ligeiramente questionável, você sempre foi fiel demais, Nym. Você jamais tentaria uma infiltração pelas costas dele para conseguir a fórmula nova para as Bonecas Humanas, justamente o ponto em que a ideologia de vocês dois se distingue. Era preciso destruir os dados na fonte, antes deles serem repassados para os Darkness. Por isso, eu me infiltrei. E assim pude dar a oportunidade para ele hackear o sistema.

As criaturinhas na tela do computador continuaram cantando e dançando, como loucas. Nym reconheceria aquela marca registrada em qualquer lugar. Ela pertencia ao super Hacker que estava sob o comando de seu irmão.

- Aparentemente, o seu sequestro acabou tornando-se uma distração, o que facilitou ainda mais o roubo dos dados e a inserção do vírus no sistema central, que deveria levar mais alguns dias. Nesse exato instante, tudo que for referente a fórmula criada por nossa mãe foi deletado.

--x--

Distante dali, um rapaz jovem estava mexendo em um pequeno notebook. Ele passava dados para um pen drive e inseria um programa de vírus em um certo sistema, apagando-o por completo. Com sua missão completada, Hélio desligou seu micro-computador, fechando-o, e retirou o pen-drive. O pequeno objeto foi esmigalhado até ficar irreconhecível e tornar-se incapaz de repassar qualquer informação.
O hacker endireitou os óculos de grau que usava sobre o rosto e começou a caminhar, saindo do prédio de departamentos, bem próximo de onde ficava a sede principal de Shadow.
E com isso, a tal fórmula terrível, criada por Ania Lindberg para evoluir o projeto de Bonecas Humanas, sendo possível modificar adolescentes, foi completamente apagada da face da terra.
Bom... até outro gênio resolver recriá-la do zero.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 5:45 pm

Lennart abraçou Nymeria, também não se importando com a presença de Ivan de no local. Ele apenas precisava segurar ela, mesmo que fosse por alguns instantes. Precisava acalmá-la de alguma maneira, apesar de saber que o que ela acabara de fazer jamais sumiria de sua mente completamente, um conforto momentâneo teria que ser o suficiente naquele momento, até que pudessem se afastar para um outro local, distante daquela morte e de todo o caos que aquele lugar se tornara. Ivan escutou as palavras de Nymeria, em um absoluto silêncio, imóvel. O punho daquele homem gigante ergueu-se e desceu contra o chão, o concreto partindo-se. Devido à droga que ele usara antes, aquilo não o machucara como deveria.

- Vlad... O que foi que você fez? - Murmurou Ivan. Sabia bem que Vladimir não era nem de perto um homem bom, mas atirar contra a própria mulher e filha? Aquilo ia além do aceitável para Ivan, mesmo que estivessem em uma máfia.

Lennart e Ivan observaram conforme o hackeamento daquele computador ocorria, ambos em silêncio, com os braços de Lennart ainda em volta do corpo de Nymeria. Ele depositou um beijo no topo da cabeça dela, ainda tentando confortá-la. Ninguém matava a própria mãe e saía intocado da situação, por mais ruim que ela fosse. Ele suspirou, voltando seus olhos para o homem caído.

- Ele ainda é de algum valor para nós? - Questionou Lennart, apontando para Nicolai.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 7:34 pm

É por isso, que vou matá-lo.

Foi o que Nym teve vontade de dizer, após o comentário de Ivan. Diferente da expressão angustiada que ela mostrara ao perceber que teria de matar Ania, no entanto, a determinação no rosto de Nymeria era mais crua e indiferente. Afinal, por mais que Nicolai tivesse manipulado sua mãe, seu pai atirara nela para começo de conversa. Vladimir a traira, tivera uma filha bastarda, e voltara-se para ela quando seus filhos legítimos mostraram indiferença quanto ao futuro da máfia. Não importava o quão terrível tivessem sido todos os outros, aquilo começara por culpa do próprio líder.

Eu vou matar Vladimir. E tomarei o lugar dele como líder...

Ela não sabia se dizer aquelas coisas em voz alta afetariam a situação já tensa naquele lugar. Agora, sua atenção estava voltada para o toque de Len em sua pele, acalmando-a. Não, Nymeria não estava nem perto de estar concertada novamente. Ela estava em frangalhos. Mas saber que Len estava vivo e bem era o suficiente para acalmar pelo menos um pouco seu coração partido.

- Devemos levá-lo conosco para que ele confesse.

- Eu já tenho uma ideia do que ele vai dizer, mesmo sob tortura. - Os olhos desiguais de Nym voltaram-se para ele. - Mas não vamos matá-lo aqui. Seria muito misericordioso. Ele merece sofrer... até que deseje morrer, e quando isso acontecer, vamos matá-lo da forma mais lenta e desagradável que existir nesse mundo.
- Eu não sou adepto desse tipo de atitude, mas concordo com você, irmãzinha. -Edrik afastou-se novamente do computador, caminhando até o grupo. - Nosso trabalho aqui terminou, suponho. Imagino que os grupos responsáveis por destruir o resto da rede principal de Shadow também devem estar terminando sua missão.
- Os outros grupos?
- Digamos que estamos em uma pequena aliança com a Comandante dos Dragões Brancos. - Edrik fixou seus olhos em Ivan. - Sinto muito, tio, mas não podia falar diretamente com vocês sobre o que estava fazendo, por isso eu interceptei algumas de suas mensagens. Aparentemente, Amenartas teve a mesma ideia. Nós chegamos a um consenso, já que nossos objetivos eram os mesmos, e ela aceitou trabalhar com sua organização nos outros pontos.
- Se eles fizerem um bom trabalho, a máfia será devidamente desmantelada. Provavelmente só sobrarão alguns peixes pequenos, mas eles sozinhos não serão nenhuma dor de cabeça.

Nym disse, seus olhos agora parados no cadáver da mãe. Ela mordeu o lábio inferior até sangrar, suas mãos apertando Lennart mais forte. Já parecia um pequeno milagre que ela não estivesse gritando novamente.

- O Inverno Soviético queima seus cadáveres, certo? - ela olhou para Ivan, também. - Você pode simplesmente... colocar fogo no prédio a ponto de botá-lo abaixo? Eu ouvi dizer que o fogo purifica as almas. Preferiria enterrá-la devidamente, mas... estou ciente que seria um problema.
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Lennart Eurus
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 8:18 pm

- Deixem ele para mim - Foi tudo o que ele disse, antes de apertar levemente o comunicador em seu ouvido, trocando a frequência para uma única da Casa. Naquele momento, John, Hal e Sigmund o escutavam - Prepare o Set D para mim, Sigmund.

- Claro, claro. Sabe qual armazém usar - Disse Sigmund, desligando o comunicador.

Sigmund voltou a sentar-se na poltrona, segurando um copo de uísque com gelo. Ficara feliz pelo fato de não ter precisado mandar os Fúrias para fazer uma limpeza no local, porém ter que acompanhar a quase morte de Lennart atrás de uma tela não fora uma experiência boa para ele. Ao menos estava sozinho, em uma casa diferente da que partilhava com Dante. Tomou um gole de sua bebida e deu uma fraca risada, lembrando-se da reação que tivera.

Momentos atrás, Sigmund estivera de costas para a tela, ainda olhando aquela foto. E então, tudo começou a acontecer. Ele ouviu o barulho de um tiro e quando voltou-se, viu a câmera descer até o chão. Lennart caindo. E seu coração esqueceu de bater por um único segundo. Ele estava com medo. Não queria ver seu filho morrer, apesar de saber que isso poderia acontecer com ele. Nas outras vezes, que mandara ele em missões, não assistira a tudo através de uma tela.



Estava amolecendo, no final das contas.

- Sim - Foi a resposta de Ivan. Não dava para saber se fora para o que Edrik dissera, ou para Nym - Um dos nossos está morrendo lá embaixo, preciso descer. Não se demorem - Dito isso, Ivan saiu na frente. Precisa de alguns segundos de silêncio e solidão, para absorver tudo o que estava acontecendo.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 8:36 pm

- Quem?

Nymeria perguntou imediatamente, após Ivan alegar que um de seus homens estava morrendo. Ela não conhecia todo o Inverno Soviético, apesar de ser responsável por mandá-los a maioria das missões. Seu relacionamento era mais íntimo com os integrantes principais. Tudo que ela não queria era saber que um dos seus amigos havia sido morto porque fora salvá-la.

A expressão sempre tranquila de Edrik também estava pálida. Ele voltou sua atenção para Nymeria umas dez vezes, só para ter certeza absoluta de que a garota estava bem, e disparou atrás de Ivan segundos depois. Ele também tinha todos s integrantes principais do IS em alta conta, mas sua preocupação atual era com uma certa mulher bruta e ruiva.

Nym olhou uma última vez para o rosto da mãe. Ela não pegou a espada de volta, até porque nem sequer era dela. Edrik provavelmente a conseguira em algum lugar qualquer. A garota apenas segurou mais forte Len pelo lado e olhou em seus olhos.

- Vamos sair daqui. - foi o que disse, lançando um olhar de nojo para Nicolai. - Podemos arrastá-lo escada abaixo.

Aquilo não fora uma piada, como as pessoas do dito andar de baixo perceberiam quando chegassem a se encontrar com eles, alguns minutos depois.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 8:52 pm

Quando chegaram no andar de baixo, poderiam notar que todos os membros do Inverno Soviético, pelo menos os que sobreviveram ao ataque, estavam bem. Natasha, Bóris e Sergei também estavam intocados. Caído no chão, escorado contra uma caixa, estava um rapaz de cabelos cianos. Nymeria deveria ao menos saber o nome dele, tendo em vista que o rapaz era alvo de muitas conversas na Academia Blackwell, a maioria falando sobre o quão louco ele era. Pelas vestimentas do mesmo, ela o reconheceria como Jacket. Deveria ser notado, porém, que ele estava longe de ser o verdadeiro Jacket. Lennart aproximou-se dele, enquanto alguns membros do Inverno Soviético afastavam-se, após Noah negar o tratamento pelo centésima vez.

- Tem certeza? - Foi tudo o que perguntou, olhando para o rapaz.

- Sim. É assim que tem que ser - Foi a resposta de Noah - Ao menos eu morro como uma pessoa livre.

- Sangrar até a morte não é um bom jeito de se morrer - Lennart pegou uma pistola do chão - E morrer livre? Isso não existe.

- É claro que existe. Nunca houveram correntes que me segurassem, nunca houveram regras, fossem elas de Deus ou regras dos homens que me prendessem. Eu morro aqui, por escolha. Já vi o suficiente para uma vida, por mais curta que ela tenha sido - Noah falou, exigindo toda a força dele para não se engasgar no sangue. Lennart apontou a pistola para ele - Aceito sua gentileza.

E Lennart puxou o gatilho. Noah Smith, o Biker estava morto. As palavras dele deixaram um impacto em Lennart. Ele nunca fizera o que desejava, sempre seguira ordens. A única escolha que ele tivera, fora a de viver livre ou não ter mais escolhas. Era óbvio o que ele optara por ter. Portanto, ser livre era algo que ele não conhecia e se um dia conhecera ele já não lembrava-se mais. Será que ele poderia ter aquela escolha? A de escolher o momento que vai morrer? De escolher o que vai fazer? Lennart estava silencioso. Ivan, por sua vez, estava ajudando a empilhar os corpos, colocando o de Noah no topo da pilha, logo o fogo se iniciaria. Lennart olhava para o local onde matara Noah, mesmo após o corpo ter sido retirado, estava afundado em seus pensamentos e nem notava o que acontecia ao redor. Logo, o local seria engolido pelas chamas.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 9:09 pm

Edrik ficara claramente aliviado ao ver o topo da cabeça de Natasha ainda no lugar, assim como os outros. Ele descera sua atenção então sobre o rapaz que estava morrendo, alguém que não conhecia, de lugar nenhum, Era claro que, se ele estivesse com um capacete na cabeça, seria mais fácil de definir. Afinal, todos conheciam Biker, assim como todos conheciam Jacket. Mas por si mesmo, ele não conhecia aquela pessoa. E, julgando pela situação, era alguém que queria morrer.

Por fim, Nym e Len chegaram até lá em baixo, depois de arrastarem Nicolai pelas escadarias. A jovem observou Noah atentamente. Ela sabia de quem se tratava... isso porque seus olhos se cruzaram uma ou duas vezes na academia, além dele ser muito falado. Ele também já fora visto com Melissa Carter, a dita garota problemática. No final das contas, o mundo naquela cidadezinha era muito pequeno. Todos se conectavam com facilidade. Ela ficou em silêncio diante do diálogo entre o moribundo e Lennart, antes desse primeiro ser morto. Também permaneceu, respeitosamente, por um minuto em silêncio total.

Ela respeitava aquele tipo de mentalidade.
Era a mesma que ela própria possuía. Nymeria também queria sua liberdade. Assim como das pessoas com as quais se importava. Ela brigaria por isso com unhas e dentes, e morreria tranquila se fosse por uma boa razão. Nym tateou o braço de Len, ainda observando o local onde Noah morrera, e desceu mais a mão para entrelaçá-la com a dele.


- Vamos... não há nada para nós aqui.

Aquela frase fora tanto para o marido para todos os sobreviventes do confronto. Não havia mais nada a ser feito, a missão fora cumprida. Só lhes bastava lidar com as consequências do que fora decidido e trazido a tona naquele fatídico dia.
E o fogo consumir a sede principal de Shadow, carbonizando as estruturas e corpos daqueles que pereceram ali.
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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   Ter Maio 22, 2018 9:13 pm

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MensagemAssunto: Re: Encontrando a Escuridão   

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