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 Dark Room

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MensagemAssunto: Dark Room   Qua Set 27, 2017 7:10 pm






A Dark Room, ou sala escura, era um lugar secreto que residia dentro da fazenda dos Prescott. Pouquíssimas pessoas tinham o conhecimento do lugar e somente com a senha era possível entrar. Deduções e hackeamento eram completamente inúteis naquele lugar. Literalmente, você só poderia entrar caso soubesse a senha ou se estivesse acompanhado. Apenas duas pessoas conheciam todos os segredos doentios que aquela sala carregava.

A entrada era um corredor estreito que dava em uma sala com mantimentos o suficiente para meses e mais a frente existia uma sala com os mais caros equipamentos de fotografia existentes no planeta, alguns quadros medonhos e um computador voltado para a manipulação de imagem.

[Meu, que vacilo, como eu pude esquecer de criar esse trem aqui.]
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Nathan Prescott
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Qua Set 27, 2017 8:10 pm

[ Na vdd graças a dels tu só criou agora, porque a Dark Room que eu implantei aqui acabou de ser explodida UAHSUAHSUHA
Logo mais ela vai ser movida pra Fazenda em si já que agora está LINDAMENTE OFICIALIZADO QUE MARAVILHOSO AMIGOS <3 ]
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Beyond Darkness
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Qua Dez 20, 2017 4:39 am

O epílogo da primeira Dark Room foi uma catástrofe. Bem, pelo menos foi visto assim pelos admiradores simpatizantes do negócio de bonecas humanas. No entanto, a vitória dos mocinhos não poderia durar muito tempo. Não naquela cidade. Não em seu submundo.
Naquela noite, no centro de Windfall, uma boate sucumbira à chamas depois de uma anarquia descontrolada entre mafiosos, hackers e supostos estudantes.
Todavia, o que estava prestes a ser confessado era que todo o caos que culminou em mortes, perdas, sequestro e lástimas fora milimetricamente arquitetado.
Como Nymeria Lindberg poderia saber?
Como ela poderia perceber que havia alguém por trás do palco, bulindo nas cortiças, içando as cordas, distribuindo falas e personagens?
Cada um presente na boate aquela noite tinha sido apenas uma valiosa peça de um quebra cabeça arranjado por um assombroso jogador.  
E o prêmio havia sido conquistado antes que até mesmo uma criança especial como Nymeria pudesse pegá-lo... pois o prêmio daquele jogo surpresa descobrira-se mais caro do que ela poderia imaginar.
Ele era sua própria cabeça.

A herdeira russa acordaria no mínimo atordoada. Seus braços doíam, pois estavam sendo carregados por dois homens, um de cada lado. Suas mãos estavam atadas pelos pulsos atrás de si e seus pés arrastavam pelo chão enquanto eles atravessavam um longo corredor completamente branco que fazia ecoar cada passo.
O que estava na direita ela reconheceria bem. De cabelos verdes, roupas extravagantes e uma face completamente branca com um sorriso pintado em vermelho vivo. Seu sequestrador, o único que poderia ser, na verdade, pois descobri-lo um inimigo em potencial não era para ser um espanto - devido sua aparência suspeita - mas foi definitivamente uma jogada que veio de um canto que ela não poderia exatamente esperar. O coringa do baralho.
O outro homem ela também não tardaria a reconhecer. Ele tinha fios grisalhos que se mesclavam com os pretos, olhos cinzentos e rugas de satisfação bem marcadas em suas pálpebras.
Este último percebeu que ela despertava e sorriu-lhe cinicamente.

- Ora, ora, ora... nos encontramos de novo, princesa. - ele tombou a cabeça para ela, sem diminuir o passo.- Eu disse para ficar longe... mas, teimosa que é, preferiu voar perto demais do sol... e agora tu está aqui.

Eles dobraram o corredor, apenas para descobrir uma porta dupla completamente blindada do outro lado. O segundo homem digitou algum código nela, e seu dispositivo acendeu uma luz verde.

- Ela caiu como um patinho indefeso, Chefe.- ele fez a voz soar mais alto quando a porta se abriu e soltou o braço de Nymeria a seguir, abaixando-se para fitá-la bem em seus olhos desiguais.- Eu gostaria muito de poder ver sua cara.

O homem lançou um último olhar a Nicolas, fazendo um gesto para que o palhaço levasse Nymeria para dentro. Ele próprio prostrou-se ali, imóvel, mas um semblante jubiloso.


Havia uma música ecoando na sala. Ela tinha um aspecto rouco, como se fosse uma gravação mal feita e era baixa, bem baixa, mas ainda assim audível:


Assim que passassem pela porta, ela se vedaria novamente. A sala era um bunker de paredes recheadas de azulejo branco, com uma iluminação completamente artificial, o que dava ao lugar um aspecto de clínica hospitalar nada confortável. O odor também não era dos melhores, haviam produtos químicos aos montes sobre prateleiras de ferro espalhadas pelo lugar e provavelmente isso explicasse o misto entre industrial e ferroso...
Este último cheiro vinha claramente da maca metálica e ensaguentada no centro do aposento. Havia uma pequena mesa auxiliar ao lado, com lâminas cirúrgicas igualmente manchadas de vermelho, mas haviam também... dois braços e duas pernas simetricamente cortados.
Pareciam pertencer ao corpo que jazia sobre a tal maca.
Era um corpo feminino, completamente mumificado em bandagens que deixavam apenas sua boca de fora, a qual era forçada aberta por um aparelho ortodôntico metálico que se fixava por dentro de suas bochechas e deixava o buraco unido apenas pelas gengivas de cima e baixo à mostra. Não havia mais arcada dentária naquele orifício, mas o som que saía dali... ela respirava pela boca, seus lábios esticados estavam secos e havia um peculiar fone de ouvido no que deveriam ser suas orelhas completamente enfaixadas. Dali um som estrondoso, porém abafado, ainda podia se distinguir da música local. Ela deveria estar daquela forma há muito tempo e não deveria sequer estar ouvindo o ruído, porque ele havia estourado seus tímpanos há alguns minutos atrás.
A música quase tranquilizadora que eles ouviam saía daqueles fones absurdamente altos.

- Time, don't fool me no more.- uma voz soou, tranquilamente acompanhando a música que nada combinava com aquela atmosfera perturbadora. O timbre pesado e rouco tão familiar de voz...


Vinha de uma poltrona alta virada de costas para a entrada, com uma mesinha logo ao lado que continha uma garrafa de vinho, taças e um óculos laranja realmente chamativo. Apenas uma mão era vista, apoiada no braço da poltrona, atirando dardos afiados contra um alvo pendurado na parede à frente.
Os dardos atingiam tão perfeitamente o centro do objetivo que se o cortassem tomando a agulha como base, teriam dois lados perfeitamente simétricos. Quando outro dardo era lançado, ele fincava-se exatamente no mesmo ponto, arrancando o outro dardo anterior e fazendo-o cair no chão.
A mira e a destreza daquela mão eram fenomenais...
E aquela mão...
Ela era totalmente robótica.

Estrutura da Mão:
 

- Oh baby, can't you see...- a mão abaixou-se lentamente quando os "convidados" se prostraram na sala.- It's a timming tragedy*.

A voz sobrepunha-se quase completamente à música real, tornando o ritmo mais lento e fúnebre do que deveria ser, pois a melodia que escapava dos fones ainda ecoava baixa o suficiente para ficar apenas notável de plano de fundo.

- I think it's nine when the clock says ten...- houve um reflexo de rosto nas lentes laranjas quando a poltrona girou metodicamente e a mão, esta aparentemente normal, calçada com uma luva que esbanjava o símbolo de Ouroboros, apanhou a armação dos óculos e estendeu-a no ar.- This girl won't wait for the out of time man*.

A figura que se revelou diante de Nymeria e Nicolas era mais do que conhecida.
Beyond Darkness encaixou os óculos sobre a ponte do nariz e, com aquele sorriso odioso cortando-lhe a face, disse:

- Olá, minha querida Lindberg... você chorou por mim?


Tradução pra Amedomeucoração:
"Tempo, não me engane mais"
"Oh baby, você não pode ver..."
"Que o tempo é uma tragédia."
"Eu acho que é nove quando o relógio diz que é dez."
"Essa garota não vai esperar pelo homem fora do tempo."

*Timming tragedy: tradução literal para uma tragédia de timing.
*Out of time man: conota tanto um homem atrasado quando um homem cujo tempo está se esgotando até que algo aconteça.

(Claramente referências sobre quando eles perderam a noção do tempo na base de Shadow, o que fez com que eles fossem pegos de surpresa pela explosão)

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Nymeria Lindberg
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Qua Dez 20, 2017 12:30 pm

Nymeria sonhara.
Ela não podia se lembrar de com o quê, exatamente, mas guardara a sensação de desgosto na ponta de sua língua. Muito embora, ao despertar, fosse óbvio a razão daquele gosto ruim, quando seus braços estavam bem seguros pelos homens, suas mãos bem atadas nas costas e as pernas finas e delicadas arrastando pelo chão, Nym ainda podia sentir o agridoce daquele sonho (ou talvez fosse uma lembrança?), diluindo como um veneno fatal.

E Nym era especialista em venenos.
A maior parte destes não faziam efeito algum sobre ela. Era a resposta de seu corpo para os inúmeros testes feitos em si mesma, antes que ela tivesse a coragem de começar a matar. Entre as exceções estavam o gás venenoso que soltara na boate e o coquetel injetado em seu sangue por Nicolas. Parecia coincidência demais para ser verdade, esse último. Havia realmente algum desgraçado repassando seus passos dentro da organização de Shadow, e ela adoraria torcer o pescoço do infeliz.

Outrora, poderia-se dizer que Nymeria fora uma boa criança. Uma criança talentosa, que poderia seguir quantos caminhos desejasse e definitivamente não precisaria nem do dinheiro da família nem intrometer-se nas coisas da máfia para se sustentar.
Quando criança, Nym desejou ser como a mãe: uma médica brilhante, no mínimo. Ainda que trabalhasse para o Submundo, ela conseguia salvar tantas vidas quanto o necessário e possuía um bom coração. E Nymeria a admirava mais que qualquer outra pessoa no mundo.

- Ela é a espadachim mais talentosa da classe, mesmo com a pouca idade - a mãe dissera, em uma certa conversa com o líder da família. Sua voz era pontuada por orgulho e satisfação. - Edrik também, é claro. Mas Nym consegue vencer até mesmo ele.
- Talento desperdiçado. - fora a resposta do homem, enquanto revirava os olhos. - Ela quer ser como você.

Sim, Nymeria havia lembrado, ou tinha uma ideia do que fosse, que havia povoado sua mente enquanto estava apagada. Isso não melhorou em nada seu mal humor. Mas ela não estava afim de trocar palavras com nenhum dos homens que a seguravam, sua atenção voltada para aquela armadilha que deveria ser tão óbvia.
Nym estava caindo demais em armadilhas nos últimos tempos.
Seu pai ficaria, no mínimo, decepcionado.


Foda-se esse idiota.

Ela não fez uma movimentação para se soltar, pois estava claro que só podia usar as pernas e, em última tentativa, os dentes. Mas suas pernas estavam tão moles quanto massa de macarrão cozida, e sua cabeça latejava violentamente. O máximo que fez foi lançar um olhar sobre seus dois captores, sua boca movendo-se numa expressão de ultraje misturada ao de rancor extremo. Um olhar assassino, com uma promessa de morte muito dolorosa.

Leah daria por sua falta... Lennart estava a caminho.
Ela sabia disso.
Isso era humilhante, depender tanto da ajuda de outrem, mas Nym sabia que não havia nada que pudesse fazer naquele estado. Ela não era tão estúpida a ponto de causar uma confusão quando não poderia sequer correr.
Sendo posta dentro da sala junto a Nicolas, o cheiro invadiu suas narinas, piorando drasticamente seu enjoo. Seu estômago embrulhou em repugnância, ainda mais após perceber que a coisa na maca estava viva... pior, que era parte do procedimento que tinha tanto trabalho em destruir.
Nymeria Lindberg desviou a atenção dali. Ela não poderia ajudar mais aquela criança (ou adolescente). Na verdade, talvez não pudesse ajudar nem a si mesma.

Então, ela o viu.
Primeiro, fora a voz, cantando aquela música irritantemente encaixável com a situação. Ela nunca poderia saber como Beyond fazia para conseguir suas trilhas sonoras, se ele as procurava ou se baseava seus atos nelas. Era irritante.
Era super, hiper, mega irritante.
Seus olhos pousaram sobre ele, com a mão metálica que substituíra a que ele perdera.
O gosto de traição apareceu em sua boca, anulando a decepção anterior e criando uma nova.
Sim, ela deveria ter percebido.
Afinal, aquele era Beyond Darkness.
Ele era um Criador de Bonecas Sexuais Humanas.
Havia um misto de sentimentos batendo dentro dela, como um mar revolto. Raiva, resignação, tristeza, alívio.
Parte dela tivera a esperança de que Beyond estava realmente do seu lado. Outra parte, sabia que ele tinha cartas na manga, cartas que não hesitaria em usar contra ela. Parte dela demonstrava certa satisfação por vê-lo vivo, e outra parte desejava afundá-lo em um balde com querosene e tacar fogo.
Mas nada pode ser visto em seu rosto. Nada além de uma certa surpresa, que logo foi mascarada com sua habitual expressão de tédio e indiferença.
A expressão de resignação fria de alguém que não pode lutar contra as ações sendo tomadas a sua frente. Mas que continua tentando achar uma brecha.


- Eu deveria ter percebido. - houve um leve piscar, devido a dopagem alta em suas veias. Ela parecia ainda estar com sono, ou nauseada o suficiente para ter de fechá-los para não ver as coisas girando ao seu redor. - Não, eu não verti uma lágrima sequer. Mas admito que fiquei mais triste do que gostaria. Perda de tempo, suponho.

Ela tinha plena consciência que seria uma luta permanecer de pé sem que Nicolas a segurasse, mas fez o possível para colocar-se ereta novamente.

- Dizem que não se morde a mão que o alimenta, mas talvez você não aja com a lógica dos cães comuns, não é? E então, vai me fazer mofar aqui em pé? Ou pretende tirar a pobre garota da maca e colocar-me no lugar dela?
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Nicolas Gattile
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Qua Dez 20, 2017 2:29 pm

Enquanto o carro negro deixava o Vortex Club, Nicolas observou enquanto Nymeria lutava bravamente contra os feitos do veneno em sua corrente sanguínea. Sua resistência era notável. Algo que se esperaria de alguém com o sangue da Mãe Rússia. Sem perder tempo, ele usou abraçadeiras bem resistentes para prender as mãos da mulher atrás das costas, sentindo um pouco de sangue escorrer pelo lado do rosto, onde ela usou uma faca para tentar se defender no segundo em que ele injetava aquela droga em suas veias. Ainda agora ela tentava de desvencilhar, embora já estivesse mais pra lá do que pra cá. 

Quando terminou de prendê-la, ele a empurrou no banco nada delicadamente, para que ela se sentasse, e agarrou seu rosto com uma mão, apertando as bochechas. Ele molhou os lábios e colocou a própria faça de Nymeria contra o rosto dela. Ele deu uma risadinha. 

- Impressionante. Bem que me avisaram pra não economizar na quantidade. Qualquer outra pessoa já estaria menos grogue e bem mais... morta. Hahahahaha! 

Ele gargalhou, voltando a empurrá-la no banco. Ele havia encontrado um pequeno arsenal revistando seu corpo, e observava com atenção a pequena adaga que ela usara para causar seu leve corte no rosto. Ele sorriu e achou engraçado que ela ainda tentava falar algo, ficar acordada. Parecia que se estivesse em condições, já teria ensinado um leque de palavrões novos para Nicolas. 

- Turn off your mind, relax and float downstream.* - ele referenciou, cantarolando levemente, e não conseguiu segurar o riso. 

Logo ele se chegavam ao seu destino, e aquele homem velho o ajudou a trazê-la para dentro. Ele continuou cantarolando enquanto a levavam pelos corredores, a faca dela ainda na mão livre. Assim que viu que ela já estava conseguindo superar o efeito da droga, ele soltou uma gargalhada esganiçada, feliz por ela poder ver quem a aguardava além da porta. 

A cena seguinte se desenrolou, e depois que Lindberg fez sua pergunta, Nicolas a guiou até uma das poltronas, deixando-a lá. Aquela coisa, o que quer que fosse sobre a mesa era interessante demais para passar batido. Ele se aproximou, sem tocar em nada, e deu a volta na maca com uma careta que era tão enojada quanto fascinada, observando cada centímetro da múmia que parecia um cenobite enfaixado e sem dentes. 

Cenobite:
 

- Que nojo! Adorei! 

Colocando os braços atrás do corpo, ele voltou a se aproximar de Nym, sentando num banco próximo, enquanto brincavam com uma faca borboleta. 

Spoiler:
 



*Tradução: “Desligue sua mente, relaxe e flua rio abaixo”. A música é Tomorrow Never Knows, dos Beatles. Considerada a mais psicodélica da banda, ela foi escrita baseada no Livro dos Mortos Tibetano, durante uma viagem de LSD de John Lennon.
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Beyond Darkness
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Sex Dez 22, 2017 5:09 am

Sua resistência a venenos e seu apreço por eles, seu carinho omitido por seus subordinados, seu ódio por seu progenitor e seu sigiloso desejo de matá-lo e tornar-se a nova líder russa.
Beyond conhecia mais sobre a Lindberg do que a maioria dos outros inimigos poderia conhecer. Talvez especificamente esse fato fizesse dele um dos piores, mas havia algo misto a isso, algo que poderia fazê-lo definitivamente o pior: a empatia de Nymeria.  
Por mais que ambos instantaneamente agissem como dois imãs opostos quando se encontravam, entrassem naqueles embates shakesperianos, se enfrentassem com palavras, se ridicularizassem, Beyond no fundo sabia que, mediante à circunstância de serem declaradamente rivais, a albina se importava com ele e isso lhe dava a ousadia perfeita para criar brechas naquela menina sempre tão impenetrável.
É claro que ele também se importava com ela, como já havia deixado claro muitas e muitas vezes... mas era um fato que as pessoas com quem Beyond se importava não deveriam realmente deleitar-se com esta circunstância.
As pessoas com quem B se importava sofriam. Poderia-se dizer que o Darkness tinha um jeito completamente inusitado para demonstrar afeto.

Mas não se tratava de nada disso.
Se tratava de negócios.
E foi por isso que, no dia da explosão, a última bala disparada pela Casull 454 tinha dois lados; ela salvou Nymeria da morte, mas a condenou a este momento.
Quando o fogo corroeu seu sobretudo vermelho e B sentiu o impacto da detonação, houve apenas um segundo que fez toda a diferença.
Ele conhecia aquela base. Ele já sabia onde se esconder e onde eles, aqueles que realmente importavam, estavam escondidos o tempo todo. Antes de bater na porta de Nymeria noites atrás, o cão dos Darkness tivera contato com o pessoal de Shadow antes de tudo. E poderia-se dizer que já estava tudo nos conformes desde que fecharam aquele acordo de "união".
Portanto, quando o fogo o alcançou, ele simplesmente esperou. Ficara para trás porque tinha que ficar e apenas por isso. Seu corpo recebeu o fogaréu, suas roupas derreteram sobre sua pele e sua pele corroeu tanto quanto seu longo cabelo negro e a única coisa que realmente sofreu como deveria foi a mão estendida, que foi arrancada e atirada para fora, levando sua tão especial arma consigo.
O chão abaixo de seus pés rompeu e partiu. Antes que tudo desabasse sobre ele e a verdadeira onda de choque viesse, ele caiu. O subsolo parecia intacto, como se houvesse sido construído com a tecnologia de um bunker nuclear e era exatamente isso. Ali, o choque de temperatura seria estafante, principalmente para alguém super queimado, pois o local mantinha a temperatura ambiente de 0º.
Perfeito para as dolls, Beyond pensou. E ele não sentiu nada.

Tudo o que os homens que estavam ali embaixo conseguiram ver foi que B ajeitava displicentemente a gravata skinny scarf vermelha com apenas uma mão... porém, quando se aproximaram o suficiente para visualizar além de seu perfil, não houve um o qual o queixo não caiu.
Havia um grande rombo no lado esquerdo da face do Darkness. Sua pele havia derretido completamente ali, seu olho provavelmente explodira no processo e sua mandíbula estava completamente exposta.


- Seu chefe vai ter que me bancar uma nova mão.- a voz dele soou calma e rouca, como sempre, o sorriso que ele deu a seguir foi capaz de fazer cada um dos homens ali arrepiaram-se completamente. Nenhum deles apontou armas para aquele homem...
Pois todos perceberam o quão inútil aquilo era.- Aquela era minha última parte real.
- V-Você...- um deles tentou falar, passando por macas de ferro que lotavam o lugar, enquanto os médicos que ali estavam, os que operavam uma boneca humana viva, retiravam suas máscaras sangrentas apenas para visualizarem em choque o que o cão dos Darkness realmente era.- Devia ter deixado ela morrer.
- E perder a oportunidade de usá-la como isca para o resto dos russos? Eu vou entregá-la quando for a hora para isso. Até lá, nosso acordo está firmado?
- S-Sim. O Chefe vai dá-lo as pesquisas quando a ameaça dos Lindberg tiver sido cessada. Agora que ela acha que você está morto, deve ser mais fácil.

Beyond riu, uma risada embargada, um breve curto circuito escapado-lhe da garganta aberta.
Seu esqueleto era puro aço por debaixo da pele derretida e haviam engrenagens visíveis rodando a todo momento dentro daquele buraco em sua face, que em algum momento brilhou carmesim. "Deve ser", ele repetiu.



O homem de vermelho encarou a Lindberg e sua expressão tão usual, alargando aquele sorriso que agora só deveria ser ainda mais odioso.

- Que bom.- ele soou realmente satisfeito diante da resposta dela.- Chorar não combina com você. Eu ficaria decepcionado se o fizesse.

Ele ergueu-se da cadeira, iniciando passos lentos em direção à menina de cabelos descorados, mas ele parou a meio caminho, não podendo conter uma risada.

- Oh, por favor, minha cara, eu achei que você soubesse que eu sou tudo, menos comum. A lógica é apenas um ponto de vista... pergunte a ele.- seus olhos vermelhos escorregaram para Nicolas brevemente, apenas para tornarem a se focar em Nymeria, desta vez com mais intensidade.- Na nossa lógica, o homem ao seu lado, seu sequestrador, é seu amigo. Por falar nisso, obrigado pelo trabalho, Gattile. Poderia me trazer a outra maca e a mordaça?- ele esboçou um olhar suspeito ao falar isso.

Seus passos o levaram até Nymeria e ele a rodeou vagarosamente antes de deslizar os dedos por suas franzinas mãos atadas

- Sim, eu pretendo. Mas você acha que vou operar você? É o que acontece quando você vê apenas um lado da moeda, Lindberg. Eu vejo os dois. Eu vejo que você quer me matar, mas está aliviada por me ter bem aqui, de pé ao seu lado... mesmo que prestes a colocá-la nessa maca suja. Veja o outro lado agora...- sua voz, a seguir, saiu num sussurro:- Se não fosse por mim e nosso amigo italiano, Shadow a pegaria antes que você pudesse pegá-lo. Agora... eu a peguei primeiro. O próximo movimento... é você quem decide.

Por mais que sempre tivesse esse mesmo costume, Beyond parecia estar falando em enigmas mais frequentemente que o comum. Ele ergueu o olhar por um momento, percebendo que, mesmo com a porta vedada, o sargento de Shadow permanecia do lado de fora com os ouvidos bem abertos.
Nymeria e Nicolas também perceberiam que haviam câmeras espalhadas por toda a sala.

- Além do mais, eu não operaria você. Por enquanto, eu apenas lido com virgens.- o rosto de B abaixou-se um pouco mais, apenas para que seu queixo ficasse prestes a encostar no ombro da menina e sua voz fizesse soar bem perto do ouvido dela.- E eu consigo sentir que seu cheiro lá embaixo mudou desde aquela noite em que firmamos um acordo... e eu não acho que é apenas seu creme para depilar que trocou. Foi Lennart, não foi? Esses jovens...- ele meneou a cabeça metodicamente, parecendo definitivamente decepcionado.

É claro que ele tinha que fazer parecer uma simples última afronta.
Beyond não tinha como dizer para Nymeria explicitamente que o plano não havia acabado, ele ainda estava em processo, e ela deveria seguir adiante com isso.
O fato é que o Darkness queria Shadow morto tanto quanto todos naquela sala.
Mas era provável que o próprio estivesse escutando cada sussurro seu ali.
Apenas podia esperar que, antes que o pessoal de Shadow chegasse para levá-la, ela pudesse entender...
Afinal, se tratava de tudo disso.
Se tratava de negócios... e afeto.
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Nymeria Lindberg
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Sex Dez 22, 2017 4:23 pm

Aquela criança possuía a tendência de sentir apreço por coisas estranhas.
Talvez isso tivesse vindo desde sempre, afinal fora por pura curiosidade que ela decidira entrar na esgrima com o irmão gêmeo, ao invés de agir como uma garota rica e brincar com bonecas importadas.
Talvez fosse a sombra da corrupção que adentrara o coração dela, no mesmo dia que vira o corpo da mãe no chão, em meio a uma poça de sangue. Naquele mesmo dia que Vladimir apontara uma arma em sua cabeça.
"Você é fraca. Você vai morrer e ninguém ligará, e será esquecida tão rapidamente quanto a neve que derrete sob o sol... a menos que tome uma atitude."
Até hoje, não saberia dizer porque o pai não puxara o gatilho.
Era possível que ele tivesse armado tudo, sulcado o caminho para que ela perdesse, mesmo quando parecia estar no topo da situação.
A única certeza era que aquela mancha prevalecera sobre a maior parte do que Nym fora antes. Era certamente isso que Beyond apreciava, e mesmo que não fosse, era a razão principal para dar-lhe aquele ar letal que o homem via como uma qualidade.

A garota observou de forma apática a movimentação do coringa que a segurava, enquanto ele visualizava a coisa sobre a maca e depois carregava-a para sentar-se em uma cadeira. Havia certa satisfação em perceber que de fato ela o machucara na sua luta para libertar-se. Era possível que aquele corte deixasse uma cicatriz, sendo tão profundo. Nym sentira a profundidade quando a faca entrara, mesmo que estivesse com seu foco em escapar.

- Eu não dou a mínima. - ela disse, quando Beyond argumentou sobre o choro que não começara. E nem começaria. Não enquanto o seu "ponto fraco" continuasse sendo apenas um, e um tão difícil de cutucar. - Pois é... você não é um cão, é um corvo. Alimentando-se de carcaças podres e coisas doentias. Bicando as próprias asas e agindo como bem entende. Você fala de lados, mas o que foi atirado para cima me parece mais com um dado do que com uma moeda.

Ela ainda permanecia calma, seus olhos focados no semblante do homem de vermelho. As cores em seus olhos eram inquietantes, o azul parecia estar totalmente afundado em tranquilidade, como se estivesse no pólo norte. O vermelho era algo ardente como um vulcão, uma certeza sóbria de que aquilo tudo acabaria gerando uma reação. E as reações de Nymeria eram sempre as melhores, não importava quem estivesse do outro lado para vê-las.
Era como enxergar ao mesmo tempo Céu e Inferno.
Beyond certamente se lembraria de uma certa conversa sobre pontos de vista, onde nenhum dos dois oferecera uma resposta muito concreta sobre sua opinião.

O que Nymeria Lindberg assistia através de seus olhos desiguais?
Era uma incógnita.
Mas passou algo por eles... algum tipo de reconhecimento, ao ouvir aqueles enigmas sem sentido que o mais velho repetia.
Não é que Nym pudesse simplesmente confiar em Beyond depois daquele sequestro. E ainda havia aquela criança na maca, ou o que um dia fora uma criança, cuja respiração ainda a incomodava.
Mas, visto todas as circunstâncias, a garota não possuía saída.
Confiar que o homem não a operaria, mataria ou torturaria daria absolutamente no mesmo do que desconfiar de seus trejeitos.
Então, consigo mesma, Nymeria tomou uma decisão.
Ela recostou-se na cadeira, mantendo as costas o mais retas possíveis contra seu encosto. Era mera perda de tempo, afinal aparentemente seria deslocada para uma maca e amordaçada, mas Nym não se sujeitava a parecer tão frágil. Mesmo que suas pernas continuassem bambas, petulância marcava seus traços faciais.


- Que sorte a minha. Você deve ter trabalho para encontrar cobaias, as crianças estão amadurecendo cada vez mais rápido. - sua sobrancelha arqueou-se um pouco, enquanto suas mãos pálidas, ainda tremendo suavemente, pousaram em seu colo. - Não creio que isso seja da sua conta... mas você parece estar com ciúmes. Não que isso fará muita diferença, não é...? Afinal, aparentemente minhas horas estão contadas.

Ela suspirou, tentando não olhar para as câmeras de vigilância, ou para a criança maculada na outra maca, tentando afastar o cheiro metálico com o qual já deveria ter se acostumado mas que, em certas instâncias, fazia-a ficar nauseada.

- Diga-me, após ter me traído e se aliado a Shadow, não necessariamente nessa ordem, você sequer chegou a conhecê-lo? - aquilo parecia uma alfinetada, e mesmo que não atingi-se um ponto correto, Nym estava certa. Nem Beyond, nem nenhum integrante da Darkness ou sequer dos times que estavam sob o comando dela própria, conseguiram descobrir a identidade do homem conhecido como Shadow. E não era pra menos... desde o começo, apenas quem lidara com B e fizera o pacto com ele fora o homem de cabelo grisalho do outro lado da porta.

Se pensasse bem sobre isso, aquela pessoa deveria ser a mais alta no escalão da máfia de Windfall, perdendo apenas para Shadow. Na verdade, haviam mais alguns que possuíam o mesmo nível de importância, mas aquele homem era o único que vira o rosto por trás dos crimes. E ele teria feito o possível para que esse rosto continuasse no anonimato... se o próprio Shadow não tivesse alegado para levar a Herdeira dos Lindbergs até ele.
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Nicolas Gattile
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Sab Dez 23, 2017 12:14 am

Um barulho estridente quebrou o clima pesado que se instaurara ali, quando Nicolas sem querer derrubou uma bandeja de instrumentos cirúrgicos, e saltitou para o lado escapando por pouco da Serra de ossos ligada que quicou sobre o corpo da boneca, rasgando seu pescoço, o que lançou um jato de sangue para cima e a matou quase que instantaneamente. 


Tudo ficou em silêncio e Nicolas fez uma cara de “Oops”. 


Spoiler:
 
 





Pegando a serra de ossos ensangüentada do chão, ele a desligou e colocou sobre o corpo da boneca. Com as maos sujas de vermelho, ele empurrou uma maca para mais perto dos outros dois, a mordaça segura entre os dentes. 
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Beyond Darkness
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Ter Jan 23, 2018 3:39 am

As palavras de Nymeria fizeram aquele sorriso em seu rosto completamente renovado. Tentar bater em Beyond era como afundar o rosto de um boneco de plástico oco, apenas para que o ar dentro de seu corpo renovasse aquele sorrisinho pintado que convidava outro ataque. O cão dos Darkness não estava esperando que a Lindberg voltasse a confiar nele, não depois de ser mentalmente traída daquela forma. Pelo contrário, ele sentia um certo prazer maior quando as palavras dela desafiavam-no, quando ela se superava em suas frases letais e despejava sentenças que quase podiam cortar a língua do mais enigmático homem de vermelho.
Mesmo que as palavras da russa parecessem querer provar o quanto Beyond estava errado, foi naquele momento que ele soube...
Que havia feito a coisa certa.

- Dizem que a raiva nos cega, mas eu diria que ela é um colírio aos olhos, e ter você despejando o mínimo da sua contra mim é definitivamente excitante... um dado, você diz? Um corvo, você diz?- seu sorriso alastrou-se por sua face como se derramasse, de orelha à orelha.- Eu não sou ninguém. Eu sou um criminoso, um cão, um corvo, um traidor. Eu sou um vagão de trem e uma jarra de vinho... e um revólver carregado, se você chegar muito perto de mim. Se é você quem está distribuindo os nomes no nosso querido jogo, eu aceito de bom grado. O tabuleiro que dividimos foi virado, Nymeria, e agora só resta você nele. Use o que foi atirado para cima. Eu posso ter dado o cheque, mas é você quem tem de gritar o cheque-mate.

Splifft! Foi quando Nicolas aprontou com a doll e a sub-vida daquela pobre garota foi definitivamente ceifada. O sangue espirrou para todo canto, inclusive na câmera que os observava, atrapalhando por um dois milésimos o foco, e foi quando Nymeria sentiu um toque muito rápido em sua mão direita.

- Quantas vezes você já foi ao museu e disseram-lhe para apenas olhar, e não tocar no que estava em exposição, Nicolas?- indagou Beyond quase retoricamente, sem que seu sorriso sumisse.

Ele deu mais uma volta pela cadeira em que estava a Lindberg, parando a meio caminho à sua frente e inclinando-lhe a cabeça. Percebeu a mudança sútil de postura nela.
E, como se para dá-la parabéns ao entendimento não verbalizado, passou delicadamente os dedos pelos cabelos dela, num afago sútil, pinçando os fios descorados e penteando-os para longe de seus olhos desiguais, como ele usualmente fazia.
Só então ela pode notar que o que estava em sua mão - e não estava ali antes - era um anel.
Um anel com uma tênue agulha afiada na parte interna da mão.

- Se tem um ponto em que você me decepcionou, foi este.- suas palavras mascararam novamente sua aproximação carinhosa e repentina. Apesar de estar atuando como se boa parte daquilo fosse um teatro, para que suas verdadeiras intenções não fossem descobertas por quem não deveria, Beyond também não estava mentindo em nenhuma sentença sequer. Ele desabafou:- Você não me parecia do tipo que deveria envolver-se com um mero cão... quem sabe um corvo?

Ele gargalhou, inclinando-se para frente, ficando da altura dela.

- De fato, suas horas estão contadas. Daqui a alguns momentos, você jamais será a mesma.
- ele envolveu o rosto dela entre os dedos, apertando suas bochechas o suficiente para que os dentes arranhassem por dentro e aquilo doesse, algo totalmente diferente do afago quase carinhoso de segundos atrás.- Você é madura porque há muito tempo deixou de ser uma criança, princesa. Sua mente é corrompida pela mágoa, pela fúria, pelo choque, mas seu corpo deveria ser sempre imaculado. Pode ser que eu não esteja em posição para proclamar minhas vontades sobre você, afinal me firmei seu servo por um curto período de tempo e desertei do cargo antes que o trato se cumprisse. No entanto...- ele aproximou-se mais dela, a respiração quente batendo contra o rosto de porcelana, a ponta dos narizes se encostando. Tão perto daquela forma, era possível que Nymeria ouvisse o rolar das engrenagens dentro de Beyond, como se sussurrassem-lhe a revelação do que ele realmente era. Do que aquilo tudo se tratava.- Como um traidor... permita-me desobedecê-la mais uma vez, Mestra.

A ínfima distância que os separava foi totalmente desfeita.
Os lábios dele encostaram nos dela, e ele a beijou longamente, ainda segurando seu rosto com força para que ela não desviasse, tampouco comprimisse a passagem da língua dele que invadiu a boca dela sem pudor... e o gosto foi puramente metálico.
Mesmo quando ele se afastou, deixando um rastro de saliva que ainda ligava os lábios, havia algo incomodando, como se enfiado estrategicamente debaixo de sua língua.
Algo com gosto de ferro.
A pequenina chave das algemas que prendiam suas franzinas mãos.

- Seus olhos desiguais vão conhecer Shadow...
- ele disse, quando homens invadiram a sala com um certo estrondo.- Quanto a mim? Eu ainda não consigo decidir... se gosto mais do vermelho ou do azul. - foi a resposta final dele para a pergunta dela.

De fato, ele não havia visto Shadow. Jamais.
Mas ele confiava em Nymeria para que ela fossem seus olhos... e sua visão.
Os homens arrancaram a Lindberg de sua cadeira, colocaram-a na maca trazida por Nicolas, prenderam seu corpo com cinturões de couro e colocaram suas mãos algemadas sobre seu peito.
Eles a levaram da sala. A levaram para Shadow...
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MensagemAssunto: Re: Dark Room   Qua Fev 21, 2018 3:52 pm

Outrora Nymeria até chegara a apreciar - de uma forma estranha - aquelas discussões filosóficas entre ambos. Era um bom exercício para a sua mente, uma forma de cavar de maneira lentamente algo referente ao outro. Um desenterro feito com uma pá de brinquedo, que quebrava a cada vez que atingia uma pedra... mas ainda assim, era o suficiente para chegar um pouco mais fundo.
Talvez ela não tivesse dado-lhe o prazer de manter aquelas conversas... mas aquilo se tornara mais um hábito do que algo feito por conveniência própria ou de outrem.


- Ha... você tem formas estranhas de se divertir... e formas ainda mais estranhas de jogar. Se acha tão prazeroso me ver com raiva, talvez fique contente o dia que eu enfiar minha espada em suas entranhas. - não era uma certeza que isso ocorreria. Nem que adiantaria de alguma coisa, afinal quem sobrevive a uma explosão pode facilmente lidar com uma lâmina enfiada no estômago.  Seus olhos mergulhados em neutralidade observaram aquele sorriso. Mais enigmas...

Ótimo, B. Jogue o quanto quiser. Esse tabuleiro é grande o bastante para dois.

- Para um ninguém, você se diz ser muitas coisas. - os olhos desiguais dela estreitaram-se, seu processamento mental chegando a um ponto primordial. Ah... Beyond realmente era uma raposa, tirando o melhor de todas as possibilidades que possuía. A traição dele ainda era algo que fazia sua boca azedar, mas não podia dizer que não o entendia. Naquele momento Nym sabia perfeitamente o porquê fora traída, o que ele desejava obter com isso. De certa forma, aquilo era uma perda para ela... B já deveria estar de posse do método. Aparentemente, ele ganhara a corrida... mas isso não a impedia de fazer o que a levara até Windfall, primordialmente. Acabara com a raça de Shadow e levar todo aquele arremedo de máfia junto com ele. - Quando eu o fizer... as peças estarão manchadas de vermelho.

O som da boneca sendo ceifada fez um calafrio percorrer sua espinha. Não que Nymeria não tivesse decepado membros de muitas outras pessoas antes... aquele era seu modus operanti, afinal de contas. Seus olhos voltaram para a criatura agora definitivamente morta... ela não soube dizer se sentia compaixão ou alívio. Afinal perder a vida agora era muito melhor do que o resto das coisas que seriam feitas a ela.
Ela sentiu vagamente o toque em sua mão, e posteriormente o anel que fora colocado ali, naquele momento que Beyond afastou seus cabelos do rosto. Nymeria fechou um pouco os dedos, mas seus olhos mantiveram-se nele, aquela expressão de indiferença retornando para a sua face.

Não sinta nada, lembrou-se a si mesma. Não deixe transparecer coisa alguma.

- Corvos bicam quando chegamos muito perto deles, cãos não. Muito embora você tenha começado também  como um cachorro, se não me falha a memória. - Nym viu-o se abaixar. As mãos grandes, tão destoantes de seu rosto delicado, seguraram suas bochechas. Ainda assim, após todas aquelas palavras de visível sentimento de possessão, a garota ainda forçou-se a dizer algo por entre os próprios dentes, que feriam o interior de suas bochechas. - Bem lembrado. Eu fui maculada, corrompida e degradada. Mas vou dizer-lhe algo, Beyond Darkness, e é bom que fixe essas palavras muito bem nesse seu cérebro desvirtuado: É isso que me torna uma sobrevivente... melhor, isso me tornará uma Rainha.

Ela podia ouvir, de fato, as engrenagens girando. Ah... que resposta interessante para as perguntas que tinha... certamente sua espada não faria estrago nenhum quando atravessasse ele. Apesar do Cão dos Darkness estar tentando de alguma forma bizarra "reverter a situação a favor dela", uma traição era uma traição. Nymeria Lindberg detestava traidores. E por mais que houvesse certo apego pelo homem a sua frente, ela daria um jeito de se vingar. nem que isso raspasse apenas a superfície.
Mais pás de brinquedo quebradas, pelo visto.
Antes que Nymeria pudesse argumentar algo mais, sobre a sua tão falada perca de pureza ou qualquer outra coisa, Beyond a beijou. Suas reações instintivas eram desviar-se, ou mordê-lo, ou afastar-se... mas na posição em que estava e com as mãos fortes prendendo-na, isso tudo ligado as drogas ainda presentes no seu organismo, a impediram completamente de evitar aquela situação.

O gosto de ferro invadiu sua boca, assim como a língua dele, e espalhou-se por todos os cantos. Seus pés rasparam no chão cinza buscando uma posição que pudesse afastá-lo, mas não havia sequer um grão de força em seu corpo para isso. Então, a sensação deu lugar a um espetar estratégico em sua boca. Aparentemente B havia lhe dado sua liberdade.
Preferira que fosse de uma forma menos teatral e que ele não tivesse agarrado-a para isso. Mas aquele era Beyond Darkness. Era de se esperar esse tipo de reação totalmente inusual e brusca. O barulho da sala sendo invadida chegou a seus ouvidos, enquanto sua respiração descompassada saia pela boca semi-aberta, um pequeno rastro de saliva que não podia ser limpo em seus lábios e uma chave de algema abaixo de sua língua.

Merda... como diabos ela ia usar aquilo?

Nymeria sentiu as mãos fortes de desconhecidos passando pelo seu corpo para jogá-la na maca e as tiras de couro paralisando seu tronco, pernas e ombros. Sua boca fechou-se finalmente, num trincar de dentes, e do nada uma gargalhada seca saiu de sua garganta. O que fora bastante irresponsável, dado que na sua posição poderia facilmente engasgar com a chave sob sua lingua se ela saísse do lugar. Ainda assim, Nym conseguiu de alguma forma manter aquele som rascante sem causar um acidente.

- Isso não importa. Os dois veem as mesmas coisas. De formas diferentes, mas as mesmas coisas. Fairy-tales are not found. They are written in the walls, as we walk in a straight line

Já que aquilo começara com uma canção, por que não terminar com uma?
Aquelas palavras foram as últimas coisas a serem ouvidas, antes que ela fosse levada de volta por todo o caminho que Nicolas e o outro homem a trouxeram, e arrastada em sua maca para um furgão, cujo destino era óbvio.




*Contos de fadas não são encontrados
Eles são escritos nas paredes
À medida que caminhamos em linha reta.

(É uma música do Starset, It has Begun. Uma referência ao final que ela fará acontecer, por si mesma)
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